'Polaco da Nhanha' chega hoje às telas
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quarta-feira, 09 de maio de 2001
Simone Mattos De Curitiba 
Será lançado oficialmente hoje à noite, na Cinemateca de Curitiba, o curta-metragem paranaense Polaco da Nhanha, de Eloi Pires Ferreira. A fita faz parte do lote de 23 filmes locais que estavam incompletos e parados desde o ano passado por falta de verbas. Eles foram recentemente beneficiados por uma parceria das secretarias da Cultura e da Comunicação, num projeto que injetou R$ 400 mil para a finalização dos mesmos. Este é o segundo filme a ser concluído. O primeiro foi Bento Cego, de Paulo Friebe e Geraldo Pioli.
O diretor da Cinemateca de Curitiba, Paulo Biscaia, avisou ontem que os dois curtas devem entrar em circuito até o final deste mês. Estas e outras fitas paranaenses serão exibidas antes dos filmes em cartaz nas salas de cinema da Fundação Cultural de Curitiba.
Com roteiro, produção e direção do descendente de poloneses, Eloi Pires Ferreira, o curta Polaco da Nhanha narra em 20 minutos vários ciclos de uma família de imigrantes. A principal proposta do filme é resgatar a memória local, explica. Curitiba é a cidade do Brasil que concentra o maior número de descendentes de poloneses.
A perfeita reconstituição de época foi trabalhosa e cara. O curta consumiu cerca de R$ 150 mil, dos quais mais de R$ 20 mil foram apenas para a fase de finalização. A montagem foi feita em São Paulo e assinada pelo competente Mauro Alice. O curta conta com recursos obtidos através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Em cena, a história começa numa noite fria do inverno de 1962, no interior de uma típica casa de descendentes. A família sai para ir ao teatro, deixando apenas o vovô Djadja e seu neto. As histórias de família contadas pelo velho polonês fazem com que o garoto viaje no tempo.
Alguns causos são recordações dos anos 30, filmados em São Luiz do Purunã e Piên, onde há muitos casarões antigos de poloneses. Alguns quarteirões do bairro curitibano Jardim Botânico, onde as ruas ainda são de paralelepípedos e as casas antigas conservadas, também foram utilizadas nas locações do curta.
A reconstituição de época foi tão minuciosa que chegaram a ser regravadas várias imagens do jornal Telenotícias Transparaná, o principal noticiário local dos anos 60, com o mesmo apresentador, Sérgio Luiz. As imagens funcionam como pano de fundo num cenário composto por televisão de madeira, radiola, quadros religiosos e toalhinhas sobre os móveis.
No mesmo antigo aparelho de televisão também são exibidos pequenos trechos da série brasileira de maior audiência de todos os tempos: O Vigilante Rodoviário. As cenas foram escolhidas propositalmente pelo diretor. Filmadas no Paraná na década de 60, elas exibem a performance dos atores Ary Fontoura e Maurício Távora.
O objetivo do confronto entre a televisão e as histórias do avô, que disputam o mesmo cenário, segundo Ferreira, é justamente demonstrar o contraste entre o romantismo do contador de histórias real e o contador eletrônico. O curta também deixa clara as várias transformações que Curitiba sofreu até se tornar uma metrópole, comenta. É uma homenagem a todos os imigrantes, afirma.
Gravado em 35 milímetros, Polaco da Nhanha conta com uma equipe quase que totalmente curitibana. No elenco estão Luthero Almeida, Marcelo Lipiec, Edson Rocha, Stela Reinehr, Alan Raffo, Cynthia Becker, Rosana Pesch, Marcelo Munhoz e Rodrigo Ferrarini, entre outros.
Este é o terceiro curta-metragem no currículo do diretor. Ambicioso, Ferreira já faz planos de iniciar as gravações de seu primeiro longa-metragem no segundo semestre deste ano. Ainda não quero falar muito sobre este projeto, desconversa. Ele adianta apenas que será um road-movie, rodado no interior do Paraná, e que contará a inusitada história de um padre caminhoneiro.


