Rubens Pileggi Sá
De Londrina
Especial para a Folha2
Muitas vezes as pessoas que desenvolvem um trabalho no campo das artes ficam em dúvida sobre o que dizer e como colocar as questões para se fazer um produto de qualidade. Desenvolver um tema que seja interessante e construí-lo materialmente nem sempre é tão simples quanto possa parecer. Além disto, dar forma a este tema, utilizar uma técnica, confeccionar a peça, resolver os suportes, o contexto a ser exibido e torná-lo visível é tarefa que nem todos conseguem levar a cabo.
Alguns até possuem técnica, mas não têm nada a dizer. Tanto sua vida quanto sua obra são vazias de significado, falta-lhes coragem para assumir riscos e os produtos de sua criação são meros efeitos decorativos ou reproduções mecânicas do que já foi experimentado antes. Outros, pelo contrário, que poderiam estar contribuindo com a discussão ética e estética no jogo da arte, não conseguem colocar de pé uma idéia sequer. Falta-lhes a vivência prática. A obra fica aprisionada nas paredes de sua cabeça sem conseguir se comunicar com o meio externo, tornando seus autores improdutivos. Ninguém conseguirá dizer coisa de valor em uma técnica que não domina, nem usar a técnica achando que poderá discorrer sobre aquilo que não sabe.
O poeta Rainer Maria Rilke, em ‘‘Cartas a um Jovem Poeta’’, aconselha a buscar temas que sejam próximos e que muitas vezes são da nossa própria infância, fonte inesgotável de conteúdos. A artista plástica Jac Leirner é outra que prega o uso de objetos familiares. E ela mesma, que trabalha com a questão do acúmulo, usa como material os maços de cigarros que fuma, os cartões de visita que ganha e as sacolas plásticas que coleciona de galerias e museus do mundo, só para citar alguns elementos que compõem sua poética.
Outro que faz o que sabe e sabe o que faz é o norte-americano Richard Serra, um ex-operário de siderurgia que se utiliza da tecnologia industrial para criar enormes placas de metal, instalando-as em locais estratégicos que forçam o espectador a sair de sua passividade cotidiana e a se questionar sobre suas próprias percepções.
Assim, retirando do dia-a-dia as soluções para uma poética pessoal, o artista consegue integrar aquilo que estava disperso, oferecendo surpresa, invenção e paradoxo num mundo em que, muitas vezes, a anestesia parece dominar as pessoas e a solução das coisas, tão distante de nós mesmos.

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