Poética da fantasia
ReproduçãoAos 83 anos de idade o poeta mato-grossense Manoel de Barros faz sua estréia na literatura infantil. Em ‘‘Exercícios de Ser Criança’’, lançado pela Editora Salamandra, Manoel de Barros apresenta duas pequenas histórias em que mantém sua consagrada linguagem poética. O ‘‘despropósito’’ em lugar do bom senso e o absurdo como a maior virtude da poesia. Coisas como: ‘‘E se o avião tropicar num passarinho triste?’’
A primeira narrativa, ‘‘O Menino que Carregava Água na Peneira’’, conta a história de um garoto que gostava de carregar água em peneiras, criar peixes no bolso, montar alicerces de casas em gotas de orvalho e outras coisas. Com o tempo descobre que escrever poemas é a mesma coisa que carregar água na peneira, ou seja, através das palavras poderia fazer as maiores ‘‘peraltagens’’. Coisas como interromper o vôo de um pássaro colocando um ponto final, fazer pedra dar flor, fazer chover em tarde de sol, etc. Seguindo seu caminho, brincando com as palavras, se torna um poeta mostrando ao mundo seus ‘‘despropósitos’’.
‘‘A Menina Avoada’’, a segunda narrativa, revela as brincadeiras de quintal de uma menina e seu irmão. Um caixote se transforma em carroça, uma lata de goiabada vira rodas, uma corda transforma-se em bois. Assim, o imaginário e a fantasia rompem os limites do quintal.
O destaque da obra fica por conta das ilustrações. São bordados populares realizados por cinco irmãs de uma mesma família originária da região do Rio São Francisco.
‘‘Exercícios de Ser Criança’’ de Manoel de Barros, ilustração/bordados de Antônia Zulmira Diniz, Ângela, Marilu, Martha e Sávia Dmont sobre desenhos de Demóstenes, Editora Salamandra, 48 páginas, R$ 16,00.

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