''Prezado amigo leitor,/Eu vou contar uma história;/ Da fundação de Londrina,/ Que vai ficar na memória;/Aqui está registrado,/Vou falar do seu passado;/De luta, trabalho e glória.'' ''Em Cambé, a data dezessete,/ Foi a primeira a ser vendida;/Ao português José Paes,/Devia ser numa avenida;/Naquele tempo essa data,/No seu lugar era mata;/Onde ficava escondida.'' São com estes versos que Joaquim Alves da Silva, o Joaquim Poeta, começa a contar a história de Londrina e Cambé, respectivamente, em versos. Em 1.416 estrofes e cerca de 9.932 versos, Joaquim Poeta resgata a fundação dessas cidades, relata fatos pitorescos e homenageia personagens como David Dequech, Júlio Fuganti, Lord Lovat, João Milanez, professor Jacídio Correa, vereador João Pavinato, padre Alcides, entre outros.
Segundo Joaquim Poeta, as duas maiores fontes de pesquisa para escrever ''Londrina e Cambé em Versos'' foram os estudos do professor de História e Filosofia José Garcia Gonzales Neto e do advogado Alberto João Zorté. ''A história está doente de morte e antes que ela necrosasse resolvi escrever algo. Para recuperá-la será necessário um milagre maior que a ressurreição de Lázaro. História é cultura'', justifica o poeta. Com facilidade para poetar sobre as coisas do mundo, Silva chegou a escrever 62 estrofes por dia, sem abrir mão dos oito quilômetros de caminhadas diárias, visitas aos supermercados e o cultivo das boas amizades.
Baiano de Caetité, Joaquim Poeta, 69 anos, vaticinou o ofício aos seis anos, quando perguntou ao padrinho o que era um cordel. ''Quando crescer, também quero ser poeta'', resolveu, ainda menino. Os primeiros escritos apareceram aos 16 anos, mas ''esfriou e só depois de maduro veio o gosto de aproveitar este dom'', relembra. A primeira obra foi publicada aos 30 anos; desde então são seis livros publicados, sendo cinco de literatura de cordel (18 mil exemplares vendidos). Assim que conseguir juntar dinheiro com os versos recém-lançados, publica mais uma obra - a história das duas Grandes Guerras Mundiais e a do Paraguai, também em versos. Ex-policial militar, Joaquim também foi professor e funcionário de cartório.
Autodidata, Joquim Poeta aprendeu a ler no quarto dia de aula, e estudou até o Ensino Médio. Admirador de Rui Barbosa, Silva utiliza dicionários e enciclopédias como fonte de inspiração. Comunicando-se com uma riqueza vocabular impressionante, já transcreveu 11 dicionários da Língua Portuguesa e na juventude decorava uma página deles por dia. Na estante, reúne as coleções ''Conhecer'', ''Delta'', Larousse'' , ''Grandes Personagens da Nossa História'', ''Grandes Vultos Brasileiros'', ''Obras Completas de Plínio Salgado'', e ainda livros de Psicologia, Direito e Medicina.
Joaquim Poeta já perdeu as contas de quantos cadernos e folhas de papel almaço já preencheu com os seus versos. Canetas que utiliza para poetar são centenas... há seis meses deu para guardá-las e já acumula 25. Mas o homem que veio da Bahia em pau-de-arara, enfrentou jagunços na Ecola de Formação de Policiais Militares, lutou com uma sucuri de cinco metros (morta com tiros de cartucheira) e quase foi devorado por onças quando viveu na mata da região amazônica, não aprecia colecionar apenas versos e amigos. ''Sou um apaixonado por jóias'', confessa. Cordão, relógio, bracelete, fivela do cinto e botões da indefectível camisa preta são de ouro reluzente.

SERVIÇO
-Londrina e Cambé em Versos
Autor - Joaquim Alves da Silva
Páginas - 292
Quanto - R$ 30
Onde - Em Londrina - Livraria Acadêmica, Rodobanca (Terminal Rodoviário), SuperMuffatto da Av. Madre Leonia Milito. Em Cambé - Banca da Esquina

mockup