Poesia saindo do forno
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de setembro de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiiba 
Arquivo FolhaRodrigo Garcia Lopes: com livros já em segunda edição, agora lança VisibiliaDois poetas londrinenses, Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça, lançam hoje em Curitiba seus livros de poesia, no primeiro dia do Perhappiness , evento que agita a cidade a cada ano, lembrando a morte de Paulo Leminski. Rodrigo autografa Visibilia e Maurício Eu Caminhava Assim Tão Distraído, às 20h, na Livraria Arcadia. Um toque performático será dado na sessão, com a apresentação do pianista Therciano Albuquerque.
Os dois títulos fazem parte da coleção de novos poetas que a Editora Sette, do Rio de Janeiro, está colocando no mercado. Apesar dos 32 anos incompletos, Rodrigo Garcia Lopes não dá para ser considerado um iniciante.
Além de escritor, também é tradutor e jornalista, e tem dois livros publicados, já em segunda edição: Sylvia Plath: Poemas, primeira e única antologia dos poemas mais importantes de poetas em língua portuguesa, feito a quatro mãos com Maurício Arruda, em 1991, e Iluminuras: Gravuras Coloridas, tradução de poemas de Arthur Rimbaud, de 1994.
Os poemas de Rodrigo são conhecidos dos leitores de jornais como o Nicolau, editado pela Secretaria da Cultura paranaense, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. Participou da antologia Artes e Ofícios da Poesia, editada no Rio Grande do Sul, e ano passado esteve no evento Poesia 97, com o saxofonista Mané Silveira e Marcos Scolari.
Visibilia reúne 41 poemas escritos nos últimos dois anos. O título sugere tudo aquilo que é visível através da lente da poesia. Ou o olhar mais sensível que se acomete do chamado estranhamento poético - a transformação do ordinário em extraordinário. Como diria Paul Klee: A arte não inventa a natureza. Ela a torna visível.
DistraídoMaurício Arruda Mendonça chega às livrarias com seu primeiro livro de poemas, mas a exemplo do conterrâneo Garcia Lopes, tem intensa atividade intelectual. Foi no começo da década de 80 que começou a escrever e a dedicar-se à tradução de poemas. Por ele passaram autores diversos como Delmore Schwartz, Jack Kerouac, Jim Morrison e Patti Smith. Faz resenhas para o jornal O Estado de São Paulo.
Com um pé no teatro fez a adaptação de Édipo para o Armazém Companhia de Teatro de Londrina, tomando por base Édipo Rei, de Sófocles e no poema Oedipus, de Sêneca. Com o diretor da companhia, Paulo de Moraes, escreveu a quatro mãos Sob o Sol em Meu Leito Após a Água, em cartaz no Rio de Janeiro. Traduziu Out Cry, de Tennessee Williams.
O lirismo marca seu primeiro livro de poemas. Acho que meus poemas são marcadamente subjetivos, pois falam de experiências que vivi, especialmente dos climas e luzes da minha cidade, ainda que isso não fique muito explícito, declarou numa entrevista.


