O mar, o infinito, o copo de lágrimas após um blues, o retiro que se faz trevas, a mulher e os olhos invisíveis configurando o amor. Esses goles de solidão aliados a uma expressividade sonora variada compõem o primeiro registro musical de um poeta londrinense que revela sua faceta de cantor e compositor. Eis Rodrigo Garcia Lopes, autor das letras e principais arranjos dispostos em ''Polivox'', compact disc gravado entre dezembro de 2000 e maio de 2001, e que agora chega ao mercado fonográfico.
Polivox é também um site (www.cafemouse.com.br/polivox), que traz informações sobre o álbum e duas faixas acessíveis em formato mp3. Não se trata de um trabalho somente musical, nem tampouco uma releitura de poemas por meio de ritmos e sons. É sim uma tentativa de resposta, um retrato da luz que nos cega também conhecida por realidade. As muitas vozes que se proliferam através das quinze faixas do álbum são ecos de uma natureza contemplada, de um universo transitório que só permite acessos em pequenos fluxos, de um caos organizado em várias frequências, todas captadas pelo léxico do poeta.
A incompreensão do poeta torna-se lírica em faixas como ''o amor é uma mulher de olhos invisíveis'', em que os próximos vocábulos confirmam o tom inconformista: ''Por quê o que vai dentro e fora nunca se condiz?/Sempre por dentro e fora do tempo, algo traduz/ nossos gestos mais secretos/, brisa que nos irisa,/ onda que, um dia, alisou esta camisa,/ onde se lia: 'o homem que a vestia nunca foi feliz'''.
As demais composições alternam disposições ao blues (''O Assinalado'' e ''Perfeitos Estranhos Blues''), ao 'doce stil nuovo' da poesia italiana medieval (''o amor é uma mulher de olhos invisíveis''), ao jazz-beat-surrealismo de ''A Solidão'', ao poema-trilha ''Thoth'', ao reggae em ''O Ruído do Vidro'', e ao funk de ''Clique, Plugue, Ligue'' (uma das classificadas no Festival MPB Londrina desse ano).
O que motivou o poeta a se aventurar em composições musicais foi uma questão dificilmente solucionável: ''O que pode acontecer quando a palavra salta da página, do espaço para o tempo? O que a poesia ganha quando oralizada, atualizada, musicalizada? Quais novas relações ela pode estabelecer com o público? Pode a poesia, além de um exercício de imaginação, ser a arte da escuta, uma espécie de escuta arrebatada? Que novas relações o CD pode estabelecer entre o ouvinte e o texto?'', indaga Garcia Lopes na apresentação do álbum.
O título do trabalho é também uma referência a uma produtora de caixa de som dos anos 70, conhecida por sua qualidade de som estéreo. A relação que as faixas mantêm com o ouvinte é quase uma parceria, convidando o público a se tornar poeta também. Segundo o autor, três modelos estão presentes nas quinze faixas - as canções, as poetrilhas (que criam salas sonoras) e os poemas unicamente expressos pela voz.
Com a participação da cantora Neuza Pinheiro nas faixas ''O Ruído do Vidro'', ''El Duende'' e ''Ítaca'', ''Polivox'' foi gravado em São Paulo por Sidney Giovenazzi (autor de alguns arranjos) e Maurício Grassmann, no estúdio Frequência Rara. Há também participações especiais de Marco Scolari (teclados, acordeon e baixo) e Ricardo Garcia (percussão).
A partir dessa semana, ''Polivox'' pode ser encontrado em lojas de CD e livrarias de Londrina ao preço de R$ 15,00. O show de lançamento está previsto para o mês que vem, no Teatro Zaqueu de Melo (sem data definida). Em 2002, o autor deve excursionar com um grupo de músicos londrinenses por algumas capitais, além de contar com a distribuição de ''Polivox'' pela editora paulista Iluminuras.''Polivox'' - Lançamento do primeiro CD do poeta londrinense Rodrigo Garcia Lopes. Shows em todo o País durante o próximo ano. Preço: R$ 15,00. Pedidos e informações pelo e-mail [email protected]; nos sites www.azougue.com.br/polivox e www.cafemouse.com.br/polivox, e pelo telefone (43) 322-2115.

mockup