Sempre um poeta e um artista. Este mês, Zeca Corrêa Leite ilustra com um poema a obra do artista plástico Rogério Dias. O cartaz fica exposto em todas as agências da Caixa Econômica Federal durante o mês de outubro.
O projeto da CEF, ‘‘Traços e Palavras’’, visa difundir a cultura pela expressão artístico-literária, vinculada às artes plásticas, apresentando reproduções do trabalho de parceria entre um poeta e um artista plástico.
Zeca é jornalista da Folha e da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Cultura, poeta e contista. Rogério Dias é artista plástico autodidata, pintor, desenhista, gravador, ilustrador, cartunista, ator, cenógrafo e diretor de arte. Em comum: a sensibilidade, a elegância do trabalho, a preocupação com o ser humano, com os animais.
‘‘Ninguém canta a liberdade/ com a perfeição/ dos pássaros aprisionados’’, é um bom exemplo de como as palavras, de Zeca Corrêa Leite, podem traduzir sentimentos. ‘‘O texto eu fiz por uma razão simples: não gosto de animais presos. Nenhum tipo de animal, não somente os pássaros. É uma espécie de violência, uma das piores violências que um ser vivo pode experimentar - a sua liberdade tolhida. Daí que tenho uma pena imensa em ver gaiolas, porque a vastidão do espaço que o pássaro vê através de sua cela, é tão grande - ou quase - à solidão, à frustração de não poder voar. É a mesma coisa que a gente ter pernas e não poder dar mais que dois ou três passos. O mesmo acontece com os peixes, com os animais nos zoológicos, com tudo isso que está no mundo aprisionado. Dói na gente. Eu me pergunto - e jamais encontrarei resposta que me satisfaça - por que o ser humano precisa aprisionar para se divertir? Por que aprisionar peixes para se acalmar? Por que tirar a vida do outro para acrescentar prazer à sua? Quando escrevi o poema foi isso, foi um respiro, foi uma dor, foi qualquer coisa que passa em mim, e eu não sei dizer com todas as palavras. Daí que usei três linhas, para uma falta de entendimento que me segue pela vida.’’

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