Poesia garimpada
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Nelson Sato 
ReproduçãoÉ hora da peneirada. Com os últimos suspiros da década, começa a se impor a convocação para avaliar as tendências e os autores surgidos na poesia brasileira recente.
O lançamento este mês da antologia bilíngue Outras Praias - 13 Poetas Brasileiros Emergentes (Other Shores - 13 Emerging Brazilian Poets, pela editora Iluminuras, se anuncia como o primeiro painel crítico do gênero reunindo versos de pouco mais de uma dezena de autores entre inéditos ou que estrearam em livro nos anos 90.
O volume será lançado no dia 15 de abril no bar Finnegans Wake, em São Paulo, e posteriormente em outras capitais e cidades do interior. O projeto contou com o apoio da Fundação Cultural de Curitiba e colaboração internacional de tradutores, poetas e professores do Brasil e dos Estados Unidos.
Esta edição está longe de ser um saldo de geração - explica o curitibano e organizador da antologia Ricardo Corona. Toda antologia é um recorte. Nenhum projeto desse tipo é abrangente o suficiente para dar conta da totalidade da produção poética. Meu critério foi selecionar os autores que julguei mais representativos desse período - diz.
Avaliando o atual panorama da poesia brasileira, ele vê uma regressão estética, da qual procurou manter distância enquanto elaborava a antologia. Estamos vivenciando um revival de uma produção que chamaria de classicizante pseudo-drummondiana de um lado e escrachante vanguardista de outro lado, que nada acrescentam e são meras repetições. Indo contra isso, procurei garimpar autores que valorizam a imaginação, preocupam-se com a regeneração dos sentimentos e já digeriram os recursos poéticos. São poetas que aprenderam a lição de casa e estão aí mostrando a cara - sublinha.
A antologia traz entre seis e sete textos de cada autor. De sua garimpagem, os mais conhecidos talvez sejam os cariocas Antônio Cícero e Carlito Azevedo. De cara, o apanhado surpreende pela quantidade de poetas paranaenses escalados incluindo Jaques Mario Brand, Rodrigo Garcia Lopes, Neuza Pinheiro, Maurício Arruda Mendonça, Alexandre Horner e o próprio Corona.
Segundo ele, não há nada de bairrista ou paroquial na escolha. Recebi material de todo o País, e percebi que a qualidade está aqui - conta. A antologia traz prefácio de Antonio Risério e textos de apresentação assinados pelos professores norte-americanos e estudiosos da cultura brasileira Charles A. Perrone (da Universidade da Flórida) e David Willian Foster (da Universidade do Arizona).
As versões para o inglês foram feitas por eles, por alguns dos poetas selecionados e por outros tradutores - incluindo o músico pop Arto Lindsay. Depois de São Paulo, o livro deverá ser lançado em Curitiba durante o evento Perhappinness e em Londrina durante o Festival Internacional de Teatro.
Arquivo FolhaAdemir AssunçãoO Veneno do Escorpião


