Poesia à vista
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de julho de 2000
Elisa Marilia Carneiro De Curitiba 
O público se rendeu ao lirismo do espetáculo El Gato Manchado y La Golondrina Sinhá, apresentado no 9º Festival Espetacular de Bonecos de Curitiba
A delicadeza nos gestos, nas palavras e nos movimentos tanto dos bonecos quanto das manipuladores emocionou, anteontem, no Guairinha, a platéia do espetáculo El Gato Manchado y La Golondrina Sinhá, da companhia El Retablo y Títeres de María Parrato, de Madri, Espanha, que está apresentando-se pela primeira vez no Brasil. O grupo faz parte do elenco internacional do 9º Festival Espetacular de Bonecos de Curitiba.
Perfeitamente integradas aos bonecos de mesa e de luvas as duas atrizes Paloma Martin e Mozo Maria José Frias mostraram uma impressionante agilidade com as mãos, com a voz e com o corpo. Durante o espetáculo, elas fazem também a narração oral do conto de Jorge Amado, O Gato Manchado e a Andorinha Sinhá, costurando as cenas.
Por vezes, as atrizes interferiam na cena e a reação do público era de muita emoção. Ao transmitir a poesia do conto do escritor brasileiro, a peça se sobrepôs à dificuldade de entendimento da língua.
Todos os bonecos são feitos pelas próprias atrizes e pelo diretor Pablo Vergne, com material reciclado. A cenografia utiliza objetos do cotidiano, como vassouras, panos, flores e muitos bichos.
A história narra o amor impossível entre um gato e uma andorinha, que vivem num parque com outros bichos. Todos os animais participam da narrativa, uns fazendo intrigas, outros preocupados com a solidão do gato, ou assustados com uma possível união de seres tão diversos. Mas o que emociona é a forma como a andorinha cativa o gato, tido como mau e estúpido.
O bom humor, a alegria de poder voar, o jeito simples de resolver os problemas e o carinho são virtudes que a andorinha deixa como lição aos adultos não tão manipuláveis.


