A literatura cura. É o aviso de Alexandre Horner, que lança hoje sua primeira coletânea de poemas, duas décadas depois de ter despontado em Londrina como uma das revelações estridentes das letras locais. O autor preparou uma sessão de música e leitura para receber a platéia, a partir de 20 horas, no bar Valentino.
O recital, movido a guitarras de Eduardo Victor e Marcelo Leite (ambos da banda de surf rock Búfalos D'Água), terá participação da produtora cultural Christine Vianna e da jornalista Célia Musilli, além de José Ricardo Maruch, que fará uma paródia de João Gilberto. Os textos do livro serão lidos ao lado de poemas de Ana Cristina César e Roberto Piva, duas referências de Horner.
''Literacura'' chega às prateleiras reunindo 51 poemas, divididos segundo o organizador do volume Maurício Arruda Mendonça em três blocos: lírico-eróticos, poemas de linguagem híbrida e poemas com aura onírica. Foram reunidos desde textos antigos como os furiosos ''Macaco Bóris'' e ''Kizumba Frenética'' à produção mais recente, datada dos últimos três anos.
''Os trabalhos mais maduros são predominantes. Mas quis incluir os poemas de primeira fase porque refletem um estilo, toda aquela iconoclastia, aquela necessidade de quebrar paradigmas a cada verso, o perfil da própria época em que foram escritos'' explica ele. A fase, começo dos anos 80, foi decisiva para fazer o poeta aprofundar-se no ofício.
Posteriormente, os experimentalismos radicais de linguagem cederam lugar ao rigor, não sem antes colocar o autor em crise. Ele lembra: ''No começo, havia uma espécie de fogo, uma erupção de idéias, uma vontade de romper com a poesia tradicional e a cultura do atraso. Mas em seguida, enfrentei um período de crise de criação, que veio após o esgotamento daquela fúria inicial. Nessa época, escrevi pouco. Só mais tarde, recuperei o combustível para transformar a experiência existencial em matéria-prima. Foi quando comecei a definir um estilo, a sintetizar o humor, a ironia e o erotismo exacerbado. Passei a ter um domínio da linguagem e das sensações, a ter mais coisas para dizer a partir da experiência direta. É como se eu estivesse fazendo as pazes com a vida, evoluindo através da linguagem poética''.
Aliada ao amadurecimento, Horner passou a preocupar-se também em como atingir os leitores, como convertê-los à poesia. A opção em fazer o lançamento num bar, acompanhado de músicos de rock, vem daí. Assim como o cuidado no tratamento gráfico do livro, que contou com a parceria do arquiteto César Sumiya. ''A idéia era fazer um livro com design atraente, que propiciasse um impacto visual, que os leitores tivessem uma experiência táctil. Não queria ser um poeta a lançar mais um livro'' salienta.
Para conquistar mais leitores, ele propõe a realização de poema-okês. ''Qualquer dia desses vou fazer isso, vou colocar uma lista de poemas para as pessoas lerem'' diz. O livro sai da gráfica pela editora londrinense Atrito Art. O lançamento integra o projeto ''Fim da Literatura'', de autoria das produtoras culturais Christine Vianna e Renata Farias, com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).

Serviço:
- Lançamento do livro ''Literacura'', de Alexandre Horner. Hoje, às 20 horas, no Bar Valentino (Av. Bandeirantes, 61).

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