POESIA - Adélia Prado lança poemas em CD
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sexta-feira, 19 de setembro de 2003
Eduardo Kattah<br> Agência Estado 
Na definição de Adélia Prado, o amor ''continua imbatível na categoria de aventura mais exigente e prazerosa de que se tem notícia''. Algo que não ''tolera fraudes'' e uma experiência que não escapa da antítese inerente à condição humana. Pois é esse sentimento universal, fonte inesgotável de interpretações, que a poeta mineira escolheu como tema de seu mais novo trabalho, o CD ''O Sempre Amor'' (Selo Karmim), composto por 30 poemas selecionados e interpretados por ela. O álbum será lançado em um recital da própria Adélia, domingo, no Teatro Sesiminas, em Belo Horizonte.
A poeta diz que, a exemplo de seu primeiro CD ''O Tom de Adélia Prado'', lançado em 2000, também pelo Selo Karmim, que reúne 56 textos do livro ''Oráculos de Maio' , procurou dar ''uma unidade de sentido'' ao disco quando optou por selecionar no conjunto de sua obra poemas sobre o amor. ''Todo mundo quer amor, amar e ser amado'', observa, ao ser indagada sobre os motivos que a levaram a escolher tal tema. ''Eu tinha os poemas e Carminha Guerra, a produtora, o amor à poesia. Eu queria falar, ela queria gravar. Foi assim'', resume.
Conhecida pela discrição, Adélia explica que os poemas reunidos tratam de experiências e desejos próprios, o que chama de ''tempo guardado em forma de beleza''. Contudo, não espera com suas impressões, de nenhuma forma, criar conceitos sobre o assunto.
''Seria impossível expor o amor e não tentei fazê-lo. O amor foge de exposições, não tolera fraudes. Mas, como tudo que é humano, mesmo a experiência suprema de amar não foge à sina do que nos concerne, luz e sombra, gozo e dor.'' Contrários, que, segundo Adélia, ''não matam o amor, mas o movem para além de tristezas e alegrias, buscando um valor maior, o amor radical''. Ela completa: ''É disso que vivemos, desse desejo infinito que nem sempre sabemos nomear.''
Os poemas foram gravados por Adélia Prado em abril de 2001, no Estúdio Bemol, na capital mineira. A direção musical ficou a cargo de Mauro Rodrigues, que compôs a trilha do disco. A gravação do ''Poema Orquestral'' foi realizada em setembro do ano passado pela Orquestra de Câmara do Sesiminas, com a participação dos músicos Carlos Ernest Dias (oboé), Fernando Rocha (vibrafone) e o próprio Mauro Rodrigues (flauta).
A volta aos recitais anima a poeta, que diz se sentir premiada com a reação do público. Por enquanto, apenas dois espetáculos estão agendados como parte da programação oficial de lançamento. Além de Belo Horizonte, Adélia Prado realizará, na sexta, um recital no Teatro Atiaia, em Governador Valadares. ''Eu adoro recitar. Se aparecerem convites, estou a postos'', avisa ela, que diz estar tentada a incluir nos espetáculos dois poemas sobre o amor que deixou de fora do trabalho por excesso de rigor.
A poeta mineira Adélia Prado nasceu e mora até hoje em Divinópolis, cidade localizada na região Centro-Oeste de Minas. Formada em Filosofia, ela possui 12 livros publicados, entre eles os de poesia ''Bagagem'', ''O Coração Disparado'', ''Terra de Santa Cruz'', ''A Faca no Peito'' e ''O Pelicano''; e os de prosa: ''Os Componentes da Banda'', ''Solte os Cachorros'', ''Cacos para um Vitral'', ''O Homem da Mão Seca'', ''Manuscritos de Felipa'', ''Oráculos de Maio''.
A primeira vez que os poemas de Adélia Prado extrapolaram as páginas dos livros para ganhar outras expressões artísticas foi em 1987, quando teve seus textos adaptados para o teatro com o espetáculo ''Dona Doida'', de Naum Alves de Souza, interpretado com sucesso por Fernanda Montenegro.
Antes de ser uma busca, ela considera um processo natural a criação de outros canais de divulgação de sua poesia. Mas evita falar de planos futuros. ''Meus planos? Que Deus me conserve a graça da poesia, a alegria de escrever.''


