Domingos Pellegrini é um homem generosamente inquieto. Sempre tem algo surpreendente para trazer a público. Não à toa, o escritor e poeta londrinense foi convidado a integrar a programação do Filo 2003 com o recital de poesia ''O Tempero do Tempo'' que acontece hoje, às 20 horas, na Associação Médica de Londrina. Recital sim, mas não recitação. Ou seja, um recital performático em que interpreta poemas próprios e de outros autores consagrados como Paulo Leminski, Castro Alves, Manoel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Bertolt Brecht. Portanto, não esperem nada convencional. ''É um recital de dessacralização da poesia. Mostro que a poesia pode ser algo vibrante e para isso uso meus recursos de ator da velha juventude'', diz Pellegrini.
Expressões corporais e faciais, modulação da voz e, principalmente, interpretações densas ou bem-humoradas de poemas dão o toque informal a ''O Tempero do Tempo''. A platéia é convidada a ingressar nas performances de Domingos Pellegrini em vários momentos do recital.
No total, 1h15 de espetáculo mas pode ser mais dependendo da receptividade do público. Com exceção de uma cadeira, Pellegrini não utiliza em cena nenhum outro suporte cênico. ''Meu teatro é mais essencial do que o praticado pela Denise Stocklos'', brinca.
Além de Londrina, ''O Tempero do Tempo'' foi levado a outros lugares como a Universidade do Professor (em Faxinal do Céu), Universidade Estadual de Maringá, Faccar, Unipar e também integrou a programação do Festival de Teatro de Curitiba. Em todas as apresentações o público se rendeu à performance de Domingos Pellegrini. '' A receptividade é boa porque o recital não é convencional, declamatório'', explica ele.

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