que tudo me penetre
ávida procuro
breve, nada estará
árvore, planta rasteira, bichos multiplicados
antes que acabem
puxo com força, coração adentro
é nervosamente que me agito nesta idade
o tempo ruge
tigre no vértice do salto
é freneticamente
pois dentes me impelem para
onde? quando?
todo dia é dia santo
quero o olho inaugural
a coleção de espantos
o rememorar das coisa
o primeiro som do mundo
seu cheiro ainda não classificado
quero rio turvo e terra roxa
quebradas de londrina, paraná
quero parentes, amigos, desafetos
amor sem fim, ódio mitigado
zerp de conduta, comportamento ilibado
quero porque quero arquivar tudo
no dia do raio, centésimo maio
já cega e surda, muda
sexo morto
possa eu marcar no calendário
sujo de tanta memória
um dia em branco
ah! deus
poderão passar, então, as águas represadas
outras plantas, crescer
e outros bichos
tudo poderá viver sem mim
sem minha gula
templo vazio

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