Lúcio Horta
De Londrina
De um dia para outro, o garçom Valdenir Teles Magalhães, que trabalha no restaurante do Crystal Palace Hotel, em Londrina, ganhou uma notoriedade que não esperava. Foi para ele – e também para seu ‘‘Club Poético Pés Vermelhos’’ – a quem o técnico da Seleção Brasileira, Wanderley Luxemburgo, dedicou um inusitado poema de amor a Londrina. O trabalho do treinador – batizado de ‘‘Londrina e a Seleção’’ – acabou lido nas grandes emissoras de rádio e TV do País, logo após a conquista do Pré-Olímpico de Futebol, no dia 6 de fevereiro.
E foi pela televisão que Magalhães soube da homenagem. ‘‘Foi uma surpresa’’, conta. Ele afirma que, trabalhando no hotel, conheceu o assessor de imprensa da CBF, Carlos Lemos. ‘‘E ele conheceu meu jornal, que edito, do Club Poético. Então eu tive essa idéia, de pedir para o Luxemburgo falar alguma coisa de Londrina.’’
O garçom-poeta conta que Lemos levou o recado para o treinador da Seleção, que não só topou a idéia como dedicou o poema para ele e seu clube. ‘‘Quando vi, o texto estava sendo lido pelo Galvão Bueno, da Globo, e pelo Fernando Fernandes, da Bandeirantes. Não esperava nada daquilo. Foi gratificante.’’ Logo depois, recebeu o texto em papel timbrado da CBF e com a assinatura do próprio Luxemburgo.
Valdenir Magalhães disse que começou a editar o jornal do Club Poético há cerca de 10 anos e nunca parou. A edição – feita em papel sulfite dobrado – sai a cada dois meses, com uma tiragem média de 250 exemplares. Além dos próprios textos, o garçom-poeta recebe colaboração de colegas de várias partes do País, incluindo Rio de Janeiro, Brasília e até da Paraíba.
‘‘Eu gostava de escrever e não sabia como divulgar meu trabalho. Então resolvi fazer uma coisa alternativa, que não visa lucro e é mais um hobby’’, explica. No próximo semestre, se ele conseguir viabilizar patrocínio, Magalhães pretende rodar a edição com o poema de Luxemburgo.
Sobre a incursão do treinador da Seleção no mundo das letras, o garçom-poeta garante que foi válida. ‘‘Gostei do poema, sobretudo quando ele diz que a cidade é ‘dengosa’ (por causa das vaias dos torcedores nos primeiros jogos da Seleção no Pré). E, no final, disse que saiu daqui amando Londrina. É uma poesia interessante e romântica, que retratou bem essa relação de Londrina com a Seleção’’, avalia o garçom-poeta.

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