Vencida pela depressão, a poetisa, romancista e contista norte-americana Sylvia Plath (1932-1963) abreviou sua própria vida com apenas 30 anos de idade. Antes da morte precoce, deixou uma produção literária visceral, confessional, irônica e bastante complexa, considerada um enigma por estudiosos que a apontam como uma das maiores autoras americanas do século XX. O universo feminino da escritora que viveu no limite da existência foi adaptado pela Cia paulistana Lusco-Fusco no espetáculo "Ilhada em mim - Sylvia Plath". A montagem será apresentada hoje, às 20h30, no Circo Funcart, dentro da programação do 13º Festival de Dança de Londrina.
"Ilhada em mim" traz à cena uma narrativa visual baseada no surrealismo do sofrimento de uma mulher aparentemente comum, mas que, em flashes de luz e verdade, revela-se fora de lugar. A trajetória de Plath é marcada por um amor profundo, mas infeliz, pelo marido, o poeta Ted Hughes; e pela batalha perdida contra a depressão. O espetáculo refaz poeticamente o percurso de Sylvia, literalmente submergindo o cenário em água, metáfora do estado mental da escritora, consumido pela doença. A trilha sonora original da montagem é do premiado músico catarinense Gregor Slvar, que mistura melodias às vozes reais de Sylvia e Ted, extraídas de entrevistas e da gravação de poemas.
"Construímos um espelho d'água em cena no qual o cenário vai afundando no decorrer da apresentação. Objetos pessoais da autora surgem congelados no início da peça e vão descongelando aos poucos. Tudo isso criado com o intuito de fazer o público mergulhar nesse universo enigmático de Sylvia", destaca André Guerreiro Lopes, diretor da montagem.
O impactante conjunto cênico-coreográfico não permite que o espectador chegue a desvendar as razões obscuras do sofrimento de Sylvia Plath, mas que ele possa vivenciar, em um processo de imersão sensorial, uma leitura possível da vida e obra da escritora. O tom antirrealista do espetáculo também se reflete nos figurinos assinados pelo estilista Fause Haten, que se desfazem conforme o espetáculo avança, transmitindo a impressão de desnudamento de Plath, solitária na nudez da agonia.
"Ilhada em mim" tem atuação da consagrada atriz Djin Sganzerla no papel de Sylvia Plath; Ted Hughes é vivido pelo próprio diretor do espetáculo, André Guerreiro Lopes; e Gabriela Mellão assina a dramaturgia.
"Já conhecia e admirava Sylvia Plath, mas esse encantamento foi aumentando à medida em que fui familiarizando mais com sua obra. Nosso objetivo com o espetáculo em homenagem a ela não decifrar o enigma presente em seus textos, mas levar o público a uma experiência sensorial reveladora neste mergulho ao universo dela", salienta Lopes.
Apesar da vida trágica da escritora, o diretor ressalta que a montagem não tem um clima soturno. "A poesia da Sylvia é cheia de luz, fala de vida de uma forma feroz e quase irônica. Trata-se de uma obra cheia de vitalidade. Buscamos traduzir isso em forma de poesia e não de prosa. Tivemos esse cuidado para não reduzir a força da obra de Sylvia. Acho que conseguimos transformar a montagem em um poema cênico. Já nos apresentamos na cidade de Tiradentes, São Paulo e Rio de Janeiro, e a reação do público é sempre de muita emoção. Acho que conseguimos chegar ao nosso objetivo", enfatiza o diretor do grupo.
A Cia Lusco-Fusco foi criada em 2007 e é sediada em São Paulo. "Ilhada em mim" é o sexto espetáculo do grupo de dança contemporânea.

Serviço
"Ilhada em mim" com a Cia Lusco-Fusco (SP)
Quando – Hoje, às 20h30
Onde – Circo Funcart
Quanto – R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)

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