Poderes Acima da Lei
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quinta-feira, 22 de maio de 1997
Carlos Eduardo Lourenço Jorge Especial para a Folha2 
Arquivo FolhaWesley Snipes e Diane Lane em Crime na Casa Branca: presidente dos EUA é suspeito de assassinatoNinguém brinca em serviço, em Hollywood. Depois de dirigir 18 filmes para a Warner, Clint Eastwood realizou ano passado para a Columbia seu mais recente thriller político-policial, Absolute Powers, aliás o mais vulnerável de seus trabalhos em cerca de uma década e uma infeliz escolha para fechar hors concours o recém-encerrado Festival de Cannes. A Warner, sem maiores comentários mas com a feroz determinação que move traídos de toda sorte, não demorou muito para dar o troco. Dois meses depois da estréia americana de Absolute Powers, estava lançado em grande circuito nos Estados Unidos o filme que, em muitos aspectos, é uma espécie de pirraça de criança que de uma hora para outra ficou sem seu brinquedo de estimação, tomado por empréstimo pelo vizinho que também quis tirar bom proveito do objeto do desejo.
Gato e rato Crime na Casa Branca(veja a programação de cinema na página 6) tem uma série de semelhanças com Absolute Powers. Não a ponto de originar um caso judicial, mas é filme virtualmente plagiário, e portanto oportunista. A Warner julgou que a Casa Branca seria grande o suficiente para abrigar, logo depois do filme de Eastwood, outro assassinato misterioso, o de uma bela loura encontrada morta num banheiro. E apostou que o detetive Wesley Snipes teria campo livre para se movimentar e investigar à vontade na residência oficial da Avenida Pensilvânia atrás de pistas. Mas quando o faro do homem da lei o leva até a primeira família (leia-se o presidente em pessoa), ele tem que lidar com agentes do serviço secreto, a maioria da pior espécie. Há pelo menos uma melhorzinha (Diane Lane) , que decide ajudá-lo. O problema é que não são só eles, mas ainda sujeira muita e da grossa, corrupção pesada. Daí em diante o jogo é o de sempre, gatos atrás de ratos.
O diretor de Crime na Casa Branca é Dwight Little. E faz jus ao sobrenome: tudo o que realizou até agora foram dois filmes de pancadaria, Marcado para a Morte e Rajada de Fogo, com Steven Seagal e Brandon Lee, pela ordem, e mais Free Willy 2. O que, convenhamos, é realmente muito pouco e muito descartável para um crédito de confiança integral. Juntem-se a isto as coincidências com Absolute Power e se terá um prognóstico pessimista, talvez amenizado em parte pelas presenças de Alan Alda e Ronny Cox no elenco, respectivamente conselheiro da Segurança Nacional e o Presidente dos Estados Unidos.


