''Poder Paralelo'' é uma novela para adultos. Há diálogos consistentes, cenas densas da máfia, abordagem ponderada dos casos de infidelidade e até o núcleo mais jovem apresenta conflitos convincentes, sem uma linguagem pueril. Esse conjunto de ingredientes traz um novo conceito para a dramaturgia da Record. Apesar da insatisfatória média de 11 pontos, pela primeira vez a emissora desperta o interesse do público de classes e faixas etárias mais elevadas com uma novela. Segundo pesquisas, grande parte das pessoas que assistem a novela são das classes A e B.
Apesar da quantidade de acertos da trama de Lauro César Muniz, como um elenco afinado, a direção bem acabada de Ignácio Coqueiro e um diálogo embasado, alguns detalhes da novela ainda incomodam. A começar pela música de fundo das cenas, em tom de suspense. Isso sem falar nos cenários pouco criativos, que visivelmente carecem de mais investimento. No entanto, estes deslizes são ofuscados pela atuação de grande parte do elenco. Paloma Duarte, por exemplo, tem convencido na pele da descolada Fernanda. A atriz conseguiu preencher a personagem com diversos matizes, sem pender para a vilania.
Mérito também de Gabriel Braga Nunes e Marcelo Serrado. É perceptível a dedicação de ambos em tornar seus papéis - Tony e Bruno, respectivamente - em criaturas enigmáticas sem escorregar em caricaturas.
Entre erros e acertos, mas sem alarde, ''Poder Paralelo'' emerge no atual panorama pouco criativo da dramaturgia.

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