Poder de seleção
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de dezembro de 2015
Geraldo Bessa<br> TV Press 
Paolla Oliveira é do tipo que vive o momento. "Não sou de planejar nada. Eu vou fazendo e as coisas vão acontecendo", conta. No entanto, no ano em que completa 10 anos de Globo depois de uma estreia como atriz quase despercebida em "Metamorphoses", exibida em 2004 pela Record , a intérprete da ciumenta Melissa, de "Além do Tempo", confessa que, quando o assunto é trabalho, mesmo sem querer, ela vem analisando e propondo um rumo mais diferente para sua trajetória.
"Amo fazer mocinhas. Mas já fiz muitas. Talvez, nisso, eu esteja ficando mais seletiva e querendo personagens menos óbvias. Mas é algo que acontece também na medida em que minha relação com a empresa se consolida", conta.
O ano de 2015, inclusive, foi fundamental para selar esse caminho mais diversificado. Começou com as peripécias e a comentadas cenas sensuais de Danny Bond na minissérie "Felizes Para Sempre?" e continuou com o trabalho complexo e artesanal da atual novela das seis, onde a atriz vive os desequilíbrios de uma mulher que é infeliz no amor. "Foi um ano de muito trabalho. Estou cansada, mas muito satisfeita com essas escolhas", destaca.
Natural de São Paulo, Paolla quase desistiu da carreira de atriz para focar na Fisioterapia, área onde é formada e pós-graduada. No entanto, atuar falou mais alto e ela voltou a fazer testes para a tevê. A primeira experiência no veículo foi como assistente de palco do "Passa ou Repassa", do SBT, quando tinha apenas 17 anos. A televisão ficou em segundo plano por causa dos estudos e só entrou mesmo na vida da atriz depois que foi selecionada para viver a Giovana em "Belíssima", sucesso escrito por Silvio de Abreu em 2005.
Na primeira fase de "Além do Tempo", sua personagem era tomada pela ambição e por um amor quase doentio. Depois da passagem de 150 anos, Melissa voltou mais tranquila, mas preserva um pouco de sua porção vilã. Você esperava uma mudança maior entre as fases?
A novela é totalmente fantasia, mas os personagens preservam alguma coerência. Acho isso bem interessante. A Melissa carrega uma mensagem, a de que algumas pessoas demoram mais tempo, ou mais vidas, para superar seus problemas. Por isso, eu acho que tudo o que acontece e as atitudes dela nos capítulos atuais são reflexo do que já foi vivido. Esse elo fica muito evidente em algumas sequências escritas pela Elizabeth (Jhin, autora). Ela mesmo conversou muito sobre o que queria dos atores nessa nova fase.
Sair um pouco do esquema das mocinhas é algo que a deixa mais empolgada também?
Com certeza. Apesar do sofrimento e da postura mais passiva, existem mocinhas muito interessantes. Eu já tinha uma vilã no currículo também, a Verônica de "Cama de Gato" (2009). As mocinhas que fiz e essa única vilã são os meus cartões de visita para os autores e diretores. E acho que eles entenderam que posso percorrer por caminhos menos óbvios. Confesso que o que mais me interessa hoje em dia são as personagens que estão perdidas no meio do caminho. Nem boazinha demais e nem a vilã estereotipada. Essa complexidade mais naturalista me atrai bastante. E tanto a Danny de "Felizes Para Sempre?" como a Melissa têm esse caráter meio dúbio.
A minissérie de Eucyldes Marinho foi exibida no início do ano e ainda repercute nas ruas e nas listas de melhores produções televisivas do ano. O que esse trabalho representa na sua carreira?
Ousadia e surpresa. As pessoas viam o título e os "teasers" da minissérie, se sentiram instigadas a assistir, mas não sabiam exatamente o que iria acontecer. E é um caso onde texto e imagem estão muito bem alinhados. Todo mundo falou da cena e do meu corpo, foi uma comoção! Eu achei o resultado muito legal. Não só por causa da popularidade, mas do que eu tive de me empenhar para dar conta de tanta informação, referência e densidade. A Danny Bond era muitas personagens em uma só.
Fazer uma personagem de época foi estratégico depois de algo tão sensual?
Não era para ser, mas acabou sendo. É bom ir na direção contrária. Se não, iria correr o risco de sempre ter de fazer cenas mais ousadas. Não quero isso para mim. Não tenho pudores para nenhum tipo de trabalho, mas ficar fazendo sempre a mulher linda e desejada seria bem chato.


