Se você perguntar para as pessoas que foram ao Planeta Terra deste ano qual foi o melhor show, provavelmente terá as mais diversas respostas A explicação para isso não foi somente porque as apresentações estiveram em alto nível, mas também porque a escalação foi uma das mais plurais já vistas por aqui, com destaque para os brasileiros da Holger e os gringos Pavement e Empire of the Sun
Em primeiro lugar, é preciso destacar a boa organização do festival: era difícil ficar ''preso'' em algum lugar, mesmo em um local que recebeu mais de 20 mil pessoas, porque havia muito o que fazer, nos moldes dos festivais europeus Além dos dois palcos que recebiam as grandes atrações, o público podia utilizar os brinquedos do Playcenter, fazer suas refeições numa grande área de alimentação, confraternizar no bares, tocar Rock Band em um estande, enfim, fazer várias atividades, além, claro, de descansar um pouco
Difícil mesmo era acompanhar os dois palcos com boas atrações acontecendo ao mesmo tempo Quando os brasileiros iniciaram os trabalhos, o público ainda não estava muito empolgado e isso ainda não era problema Mas, no início da noite, quando o Holger começou a levantar a galera no Indie Stage, foi dada a largada da correria para ver tanta coisa legal ao mesmo tempo
O funk pancadão final do Holger foi a chamada para o pessoal correr para o Main Stage, onde o Of Montreal convocou o público para dançar com hits como ''Wraith Pinned to the Mist'' e ''Gronlandic Edit'' O engraçado era notar que, mesmo com todo mundo se divertindo com o palco principal, havia a preocupação de não perder o ''outro show'', no Indie Stage Neste caso, o do Yeaseayer
Mika, no melhor estilo Freddy Mercury, foi quem começou a encher a área do Main Stage, com ''Love Today'' e ''Grace Kelly'', com direito a projeções gigantes diante do palco Em seguida, boa parte das mais de 20 mil pessoas se espremeram para ver a atração seguinte no palco principal, a Phoenix O badalado grupo francês começou a mil por hora, com ''Liztomania'' No entanto, caiu um pouco com um repertório ''frio'' Só voltou a empolgar com a groovy ''If I Ever Feel Better'', com a dançante ''1901'' e com o vocalista Thomas Mars voando sobre o mar de gente à sua frente
Do outro lado, Passion Pit e Hot Chip faziam a festa da galera mais jovem, em um momento em que os palcos se polarizaram No Indie Stage, ficaram os que queriam dançar No Main Stage, os ''tiozinhos'' amantes das guitarras Ou amantes de Pavement A banda, que dificilmente vai repetir a formação original por aqui futuramente, tocou clássicos como ''Gold Soundz'', ''Shady Lane'' e ''Cut Your Hair'', para o delírio de quem estava por ali, mesmo diante da usual indiferença do vocalista Stephen Malkmus
Quem conseguiu sair correndo para o outro palco a tempo ainda conseguiu ver a inspirada dupla australiana Empire of the Sun promovendo uma viagem lisérgica com direito a dançarinas e guitarra quebrada no palco ''Walking on a Dream'' foi uma explosão de música, dança e performance, com cenário que parecia levar o público para uma sessão ''4D'' de Avatar
O que seria o ponto alto da noite, a apresentação do Smashing Pumpkins, tornou-se um teste de paciência, até mesmo para os fãs da banda, que já não aguentam mais a demasiada pretensão de Billy Corgan Nessa hora, ganhou mesmo quem foi ver o barulho de Girl Talk, que levou o público ao palco e encerrou o Planeta Terra de forma apoteótica, com direito a papel picado e tudo mais

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