'Playboy' vai ficar menos sexy
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quinta-feira, 03 de outubro de 2002
France Presse 
Nova York - O fundador da Playboy, Hugh Hefner, prevê apenas uma receita para defender a circulação da revista masculina mais famosa do mundo do aumento da concorrência: menos sexo.
''Quero que a gente recue um pouco'', disse Hefner em uma entrevista publicada esta semana no New York Observer. ''Quero que recuemos da natureza explícita da sexualidade, para tentar restabelecer a identificação com o leitor e com os anunciantes que estavam conosco há algumas décadas''.
A idéia de Hefner defendendo menos sexo lembra a imagem da pessoa que cospe no prato que come, mas analistas de mercado há muito avisam que a Playboy precisa de um pouco de rejuvenescimento.
Apesar de ter tido um leve aumento na circulação recentemente, a Playboy vende menos da metade dos 7 milhões de exemplares mensais que conseguia fazer circular nos anos 70, quando experimentou seu auge. Sua parcela de mercado está sob constante ataque de várias outras publicações, principalmente britânicas, que oferecem um coquetel de seminudismo e celebridades.
O fato de Hefner ter reconhecido que os homens mudaram de perfil -especialmente na faixa dos 20 aos 30 anos- refletiu-se na contratação de James Kaminsky, ex-editor executivo da US Maxim. Kaminsky, 41 anos, vai assumir o cargo de editor geral na Playboy. Esse cargo era de Arthur Kretchner desde a década de 70.
''A expressão sexo explícito não tem o mesmo significado de 20 anos atrás'', disse Hefner ao NY Observer. ''Isto fica claro quando se vê revistas como Maxim e FHM, e outras do gênero''.
No entanto, aos 76 anos, Hefner não pretende deixar o cargo de editor-chefe da revista que ele fundou. Ele ainda vê provas de página, lay-outs e charges, e dá a aprovação final na capa e no poster central.
O rei das coelhinhas também quer preservar a tradição original da revista para as reportagens, incluindo a Entrevista Playboy que já teve nomes como Richard Nixon e John Updike em suas páginas, na edição americana.
Portanto, Hefner não vê a Playboy adotando, mas sim adaptando-se ao estilo ''cerveja e mulher'' da concorrência. ''A Playboy é o passo à frente da Maxim,'' disse. ''É champanhe em vez de cerveja; martinis em vez de cerveja''.


