Plasticidade a toda prova
Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
A multiplicidade é o estilo comum dos dois artistas plásticos catarinenses Sady Raul Pereira e Môa (Moacir Moreira), que inauguram exposições a partir de amanhã até 8 de outubro, no Solar do Rosário, no Largo da Ordem, em Curitiba.
Sonhos, tempo e movimento são trabalhados com a paciência da personalidade detalhista dos artistas plásticos. Sady Pereira tem formação de psicanalista e estudou desenho desde muito jovem. Como na psicanálise, os conflitos de minha obra artística ficam resolvidos assim que visualizados e entendidos, compara.
Esse mistério, comparado à psique feminina, fica escondido numa figura de mulher, a partir da qual Sady Pereira constrói milhares de corpos coloridos e em movimento. A investigação do inconsciente é trabalhada a partir dos sonhos. Este é o principal caminho da psicanálise. Meus quadros retratam esses mistérios da natureza humana.
As cores entram na composição das telas como elemento estético, na busca de um resultado final interessante. Experimento várias combinações de cores. Elas têm um impacto muito grande no nosso cotidiano, observa Sady Pereira.
Da mesma forma, o movimento das figuras têm uma razão de ser. Minha mulher é bailarina. Mas gosto mais da explicação metafórica, o movimento é o que põe a gente para fazer as coisas.
O aspecto humano encontra representatividade também na multidão dispersa dos quadros do psicanalista, como transeuntes anônimos das grandes cidades. Mas a unidade do ser humano permanece firme na figura de fundo.
Usando aves em revoada como uma elegia ao tempo, Môa toma a direção do trabalho construtivista. O símbolo de pássaros me acompanha há muitos anos. Até que foi surgindo a pintura atual, a partir de pesquisas de símbolos antropológicos, esclarece.
A exposição de Môa tem como tema as Frestas do Tempo. Movimento e formas orgânicas e geométricas, como os desenhos das asas, definem a angústia e ansiedade do homem perante a questão da submissão ao tempo. Os pássaros em vôo transmitem a sensação de passagem, como uma fagulha para o novo milênio. Os pássaros simbolizam ainda, o diálogo interior, as buscas e procuras, a liberdade e os encontros - diz o artista.
Exposição dos artistas plásticos Môa (Moacir Moreira) e Sady Raul Pereira. Abertura amanhã, a partir das 10 horas, na Galeria de Arte do Solar do Rosário (Rua Duque de Caxias, 4 - Largo da Ordem).





