Plano Estadual de Enfrentamento à Violência prevê cursos
Aluno agride a professora com barra de ferro, outro discute com a professora grávida, que devido ao nervosismo perde o bebê. Fatos como estes estiveram na manchete dos principais jornais do Estado na semana passada e causaram comoção e uma certa reação nos órgãos de educação e poder público para reverter este quadro. Investir mais em projetos educativos e culturais parece ser um caminho viável, mas o problema é complexo.
Para a chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), Geni de Lourdes Perineto, a entidade não está sendo omissa à situação de violência nas escolas e algumas ações, que já estavam planejadas para este mês, poderão contribuir para reverter um quadro educacional que parece caótico. O núcleo não tem dados estatísticos dos casos de agressão cometidos contra professores, mas Geni admite que ''a coisa está feia'' não somente nas escolas públicas do Paraná.
A chefe do núcleo também criticou a divulgação da mídia a esses casos envolvendo a violência. ''Sempre que vocês divulgam, mais casos acontecem. É o que chamamos de alunos 'anti-heróis', que não se importam de estarem em destaque mesmo em situações negativas. Eles também ficam ainda mais populares em seus grupos de convivência'', argumentou.
Segundo a chefe do núcleo, a polêmica da violência também está relacionada à realização das aulas no período noturno - que muitas instituições prefeririam não ter - e a falta de regularização dos conselhos escolares. ''O conselho é órgão máximo das escolas e ele precisa estar regularizado e atuante. Quase que diariamente temos que ficar cobrando os diretores sobre isso. É preciso entender que a violência já vem de casa, da falta de afetividade'', acrescentou.
Para este mês está programada a realização em Londrina de um curso de capacitação dentro do Plano Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Criança e o Adolescente, da Secretaria Estadual do Trabalho e da Promoção Social.
O plano será executado em parceria com a rede de educação, órgãos de saúde e entidades médicas. Cada escola deverá disponibilizar um diretor, um pedagogo, um professor e um funcionário administrativo para frequentar o curso. A primeira palestra será sobre pedofilia. ''Precisamos conhecer a realidade do aluno e detectar a violência. É um trabalho preventivo e a longo prazo'', acrescentou.(A.P.N.)





