O homem sempre sonhou em transpor as fronteiras do Universo. Nos anos 60, as viagens espaciais e a chegada do homem à Lua alimentaram o sonho, ao mesmo tempo em que outras fronteiras, dentro do próprio planeta, desafiaram, desde sempre, a imaginação dos exploradores dando origem a um farto material de ficção. Hoje, graças à tecnologia, a exploração dos oceanos, por exemplo, não está limitada ao território do improvável. É possível saber o que se passa bem abaixo da superfície das águas graças aos submersíveis, únicos equipamentos capazes de mergulhar a uma profundidade maior do que um quilômetro. Já existem seis equipamentos desses no mundo, o suficiente para os cientistas acompanharem de perto cenas inimagináveis há cinquenta anos, como o comportamento das lulas bioluminescentes ou do recém descoberto polvo ''Dumbo'', que vive nas profundezas.
Mostrar um registro minucioso da vida submarina é o grande apelo de ''Planeta Azul'', série que o Discovery Channel estréia no próximo domingo, às 21 horas, com o episódio que leva o mesmo nome. Na estréia, os oceanos são mostrados como o grande reduto de vida do planeta, abrigando desde a baleia azul até os minúsculos plânctons, numa escala que mostra a grandiosidade de um complexo sistema biológico. Na sequência, às 22 horas, será mostrado outro episódio,''As Profundezas do Oceano'', que revela as mais intrigantes formas de vidas submarinas. Entre seres nunca vistos, está o diabo-marinho que mantém sua companheira atada, vejam só, ao final do nariz para não perdê-la. Neste território profundo, qualquer luz é sinal de vida e um simples lampejo pode significar a senha de atração de um animal para outro do sexo oposto, um versão subaquática do excitante ''namoro no escuro''. 85% por cento das imagens mostradas neste episódio nunca tinham sido filmadas. O que mais chama a atenção é justamente o fato de as câmeras levarem os telespectadores a mundos desconhecidos. Afinal, os oceanos cobrem 70% do planeta e 60% de sua área está a mais de um quilômetro de profundidade. Seguir os mergulhadores nessa incrível aventura é um apelo irresistível para quem sonha com territórios não explorados. Esse ineditismo amplia o conhecimento da humanidade, com as filmagens revelando a existência de novas espécies.
Segundo o produtor Alastair Fothergill, ''O Planeta Azul'' - que tem alguns episódios sendo exibidos pelo ''Fantástico'', na Rede Globo, também aos domingos - é uma das séries mais caras sobre história natural já produzidas. Ela conta com nove episódios (confira programação nesta página) que começaram a ser registrados em 1998. Em 2000, o material começou a ser editado, um trabalho difícil que demorou cerca de um ano. Um dos maiores desafios, segundo Fothergill, foi produzir e editar o episódio ''Mar Aberto'', que estréia no dia 18. Ele mostra um habitat onde as condições do tempo mudam diariamente e que não apresenta a relativa tranquilidade das florestas onde se montam câmeras para esperar, pacientemente, pela chegada dos animais. Mas o esforço valeu a pena, o programa revela uma região em que o fundo do mar fica a oito quilômetros da superfície. Na direção desse abismo, encontra-se o peixe-lua e o peixe-sol, de três metros de comprimento; tartarugas gigantes e cardumes de milhares de peixes passando embaixo de destroços de navios naufragados. Imagens deslumbrantes da rica e numerosa fauna marinha.
Ainda no dia 18, o episódio ''Águas Geladas'' mostra o mar congelado dos dois pólos, com temperaturas chegando a 22º abaixo de zero. Nessas regiões, a vida renasce na primavera, com os plâctons alimentando milhares de peixes migratórios, pássaros, baleias, focas e ursos polares. Duas estações depois, o banquete cessa, o gelo começa a voltar à superfície das águas e a vida marinha procura o oceano aberto.
No dia 5 de setembro, quando termina a série ''Planeta Azul'', o telespectador vai saber como os cinegrafistas trabalharam junto com os cientistas. 200 locais ao redor do mundo servem de cenário para esse programa que reúne as tomadas mais difíceis feitas pela equipe, uma viagem por oito habitats do oceano, um mundo de mistérios que emerge das profundezas graças à tecnologia e ao conhecimento que revelam, aos olhos da humanidade, aspectos até então desconhecidos da natureza ou, antes, só imaginados por Júlio Verne em ''2O Mil Léguas Submarinas''.

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