Placebo volta mais roqueiro em turnê nacional
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Eles surgiram de forma estrondosa, no meio dos anos 90, com um mix ruidoso de glam e pós-punk, cheio de referências a David Bowie, com o visual andrógino de Ziggy Stardust. Chegaram fazendo barulho e conquistaram milhares de fãs já com o segundo álbum, ''Without You I'm Nothing''. Quatro discos e mais de uma década depois, o grupo retorna ao Brasil pela terceira vez com o celebrado e recente ''Battle For The Sun'', que volta a investir nas guitarras. O grupo inglês Placebo desembarca amanhã em Curitiba, em turnê nacional que inclui também Porto Alegre, Belo Horizonte e São Paulo.
Os vocais agudos de Brian Molko, associados aos poderosos riffs estridentes das guitarras de Stefan Olsdan fizeram do Placebo um sucesso entre os fãs do rock alternativo nos anos 90. Os três primeiros álbuns - ''Placebo'' (1996), ''Without You I'm Nothing'' (1998) e ''Blacket Market Music'' (2000) ganharam público e crítica devido a hits como ''Every You Every Me'', com uma pegada rock dançante irresistível, e ''Special K'', que, assim como todo o terceiro disco, é ácida, barulhenta e cheia de letras irônicas, corrosivas, polêmicas.
Aliado ao som, o Placebo também ditou moda com o visual andrógino dos integrantes, especialmente Molko. Em suas duas passagens pelo Brasil, em 2005 e 2007, era comum ver nos shows centenas de fãs vestindo uma mistura de moda gótica com glam. Agora, na terceira vinda, o contexto é um pouco diferente. O Placebo foi criticado pelas incursões eletrônicas nos dois últimos álbuns, ''Sleeping With Ghosts'' (2003) e ''Meds'' (2006), e trocou de formação. Hoje tem um baterista mais jovem, Steve Forrest. Visualmente, parecem também mais maduros e reservados.
Na atual formação, seguem os fundadores, Brian Molko (guitarra, vocais e teclados), Stefan Olsdal (baixo, guitarra, teclados e backing vocals) junto do ''caçula'' Steve Forrest (bateria). A Folha conversou por e-mail com Molko, que falou um pouco mais da atual fase e dos shows que pretende fazer no Brasil:
Com ''Without You I'm Nothing'', o Placebo alcançou o grade público, inclusive aqui no Brasil. Mas ''Sleeping With Ghosts'' e ''Meds'' não tiveram a mesma popularidade. O que mudou nesse tempo e, por que, na sua opinião, os fãs voltaram a curtir o som de vocês com ''Battle For The Sun''?
A cada novo álbum começa uma reação ao antecessor, o que é para nós a maior influência, porque é tudo o que determina exatamente o que queremos ou não fazer em seguida. Com isso em mente e com uma distância segura de perspectiva, Stef e eu chegamos à conclusão que ''Meds'' era um álbum bastante claustrofóbico e monocromático e isso oferecia uma rara esperança para os ouvintes. Então, parecia lógico fazer algo revigorante no novo álbum, com mais cores e otimismo.
Como a entrada de Steve Forrest contribuiu para o novo álbum ?
Steve Forrest tem apenas 22 anos e é maravilhoso estar por perto dele. Todas as coisas que eu e o Stefan vivemos nos últimos 15 anos, Steve está vivendo agora, pela primeira vez. Essa coisa jovial e exuberante, tranquila, é muito, muito infecciosa e nos ajuda a sair um pouco de nossa visão de ''trintões'', nossa mentalidade cínica de música-negócio. Isso é muito positivo para nós. Nós não queremos um cara que já tocou em sete bandas e é tão cínico quanto nós mesmos. Essa é a coisa mais legal sobre Steve: nós podemos viver através dessa juventude dele, como se estivesse acontecendo com a gente também pela primeira vez. Estou aprendendo coisas com ele que nunca aprendi nos últimos 15 anos. Às vezes é como estar numa banda com um irmão mais novo.
''Battle...'' tem mais riffs, guitarras, ao invés de elementos eletrônicos. Foi uma escolha consciente ou espontânea na hora da criação?
Nós não mudamos de estilo deliberadamente, só evoluímos naturalmente, acho. Uma coisa que o Placebo jamais fará é seguir uma tendência. A banda tem suas próprias coisas, as pessoas gostem ou não.
Vocês não costumam tocar com tanta frequência na América do Sul, no Brasil. O que podemos esperar sobre os shows por aqui, serão diferentes dos da Europa, por exemplo?
O que estamos tentando fazer como uma banda é criar sempre algo especial e único, um show inédito. Uma performance que não fizemos ainda e que talvez não seja repetida no futuro.
Vocês já tocaram duas outras vezes no Brasil. Do que mais gostaram por aqui?
As pessoas e as praias!


