As músicas pesadas ficam. As baladas ganham cores e texturas diversas, enquanto um sabor psicodélico atiça os neurônios. Aos 31 anos, a baiana Pitty decidiu mergulhar no passado para atualizar o futuro. Em agosto, quando desvendará por inteiro seu terceiro disco de inéditas, a cantora testará mais uma vez a popularidade com seu público.
Cantora e banda ficaram quatro anos sem gravar. Para voltar a escrever, Pitty tirou o pó dos inúmeros cadernos de anotação espalhados pelos cantos e juntou a eles um dicionário, livros de filosofia, psicologia e história da arte. ''Tive um bloqueio no início. Não me conformava em fazer o mesmo ou pior. Tinha de ser tudo muito melhor'', comenta.
Os assuntos escolhidos para a nova empreitada não diferem muito daqueles já apresentados em seus dois primeiros álbuns de estúdio (Admirável Chip Novo de 2003, e Anacrônico de 2005). Segundo ela, ''uma investigação sobre o ser humano como um todo''.
Musicalmente, entretanto, o disco (ainda sem nome definido) apostará na infusão de músicas ''para dançar'', baladas psicodélicas com suspiros de Portishead e Velvet Underground, experimentalismo e o peso habitual de suas composições passadas. ''É o disco mais psicodélico que a gente fez na vida. Não esperava que fôssemos para esse lado'', explica.
Quando questionada sobre os formatos utilizados para o futuro lançamento, a baiana, que hoje namora o baterista do NX Zero, Daniel Weskler, agita-se ao falar do vinil. Além de ganhar a plataforma ''anacrônica'' pela primeira vez, o CD será disponibilizado também digitalmente e para celulares.
Se o novo disco vai agradar aos fãs daquela Pitty que estourou na MTV em meados desta década, a artista não sabe nem quer prever nada: ''Fazer arte pensando em que lugar ela tem que ocupar no imaginário das pessoas ou no mercado é publicidade, não é música.''

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