O tempo de Deus não é somente o dos grandes milagres. Para os que esperam no sobrenatural também é o das pequenas intervenções. Um mesmo poder que leva pessoas simples a viverem experiências além do próprio limite.
Até para os que creem, as pistas dessas interferências são apagadas com facilidade pelas suposições e explicações lógicas. Porém, alguns recolhem da vida o material que os leva sempre de volta ao reconhecimento de que existe um poder sobrenatural.
Ao longo da carreira de médico, José Luiz Pires encontrou grandes e pequenos milagres. Histórias que reuniu no livro ''Sob a Mão de Deus'' (Editora Descoberta) e que abrem uma brecha para os leitores também tocarem nessas evidências.
''Entre os casos que atendi apresento uns 16 no livro. Um dos mais impressionantes foi o de um homem que tive que operar no meio do corredor do hospital. Um caminhão tombou sobre ele. Os pulmões estavam encarcerados nas costelas. Sem qualquer consideração técnica, eu abri o rapaz com o bisturi e com a mão, sem qualquer condição de higiene, consegui liberar o órgão e o indivíduo se salvou. Abri o paciente em menos de um minuto. Se começasse a considerar coisas ele teria morrido. A minha ação foi algo intuitivo. A escola não ensina e você não aprende isso em medicina de urgência. Digo isso com o coração aberto. Você é um instrumento de Deus. Tem gente que pode rir de mim, mas é o que acredito'', afirma Pires.
Formado pela Universidade Federal do Paraná, em 1961, Pires chegou a trabalhar na antiga Farmácia Izabel e Hospital Evangélico de Londrina. Ele costura a sua história com o pioneirismo no atendimento médico em Assis Chateaubriand.
Fundador do Hospital São Lucas, naquela cidade, o médico que atuou como pediatra e atualmente se dedica à homeopatia, lembra que mudou-se para Assis em 1965 e que não havia água, luz ou condições mínimas para prestar atendimento. ''Comecei a operar os pacientes tendo como assistente uma senhora analfabeta. O hospital improvisado era numa casa. Usava uma mesa ginecológica como mesa cirúrgica'', conta o médico, que aos 78 anos ainda caminha com as lembranças pelos cômodos da residência de madeira de pouco mais de 80 metros quadrados onde chegou a realizar cirurgias de grande porte.
Naquela época, a distância de 54 quilômetros entre Assis e Toledo somente era vencida de jipe. Alguns casos não podiam esperar a viagem. Um exemplo é o do rapaz que Pires operou para retirar uma bala de espingarda dos pulmões. Com apenas uma pinça, o médico diz que sentia a pulsação do coração do homem bater no instrumento cirúrgico, conseguindo ter êxito também nesse procedimento.
Pires aprendeu que reconhecer a interferência sobrenatural ajuda a tratar a autossufiência comum no meio médico. ''Um amigo meu me mostrou uma foto impressionante de uma cirurgia realizada por um cirurgião mexicano famoso. O médico operou uma menina que tinha um problema grave. Era um homem autossufiente e individualista. Havia muitas igrejas orando pela cura da garota. A operação foi documentada através de fotografia, tendo sido um sucesso. Na foto, ao lado do cirurgião aparece alguém, que não fazia parte da equipe, com a mão esquerda sobre o ombro e a mão direita sobre a mão do médico. Ficou comprovado que a fotografia era autêntica. Tenho que confessar que, na minha carreira, também estava indo além dos meus limites com os recursos que tinha, sentindo a mão de Deus sobre a minha'', avalia Pires.
O livro deve ser lançado em Londrina, mas ainda não há data marcada.

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