Piscinas naturais, opção longe do mar
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Vânia Moreira 
A 600 quilômetros de distância da praia, veranistas da região de Umuarama sem acesso aos clubes e piscinas ganharam uma opção barata para se divertir e afugentar o calor. São as piscinas naturais construídas em sítios e fazendas que a cada temporada atraem um número cada vez maior de frequentadores. Somente em Xambrê e Pérola, já existem cinco balneários que chegam a receber cada um até 2 mil banhistas nos feriados e finais de semana. A estrutura é simples. Aproveitando terrenos acidentados, com nascente e matas ciliares, os donos das propriedades canalizam a água e constróem piscinas de cimento. Lanchonetes e churrasqueiras completam a estrutura de lazer.
Dono de 19 alqueires no distrito de Eliza, município de Xambrê, o agricultor Cláudio Rocha Ribeiro, 32 anos, só plantava café e criava gado até cinco anos atrás. Agora, é dono do balneário Riacho Doce, um dos parques aquáticos mais frequentados da região. Ribeiro sonha alto e já planeja transformar o local num hotel-fazenda, com hotel, chalés e passeios a cavalo. O agricultor contratou uma pessoa para cuidar do gado e do café e agora se dedica apenas ao centro de lazer. Durante a temporada, de outubro a março, ele emprega 12 pessoas e e chega a faturar até R$ 4 mil por mês. Quase tudo que ganha, ele reinveste no parque.
O agricultor Claudio Ribeiro deixou de lado o café e a pecuária para se dedicar ao centro de lazerO agricultor começou a construir o balneário há cinco anos. Com dinheiro próprio e empréstimos, ele foi erguendo aos poucos as quatro grandes piscinas de cimento, churrasqueiras, lanchonetes, uma ponte pênsil que corta a mata ciliar e dá acesso ao barranco do rio, entre outras melhorias. O último investimento foi um tobogã de dez metros de altura que custou R$ 12 mil. O agricultor calcula ter gasto R$ 180 mil até agora.O investimento compensou, garante. Tanto que pretende transformar todo o sítio num centro de turismo e lazer.
Em Pérola ( 46 quilômetros a sudoeste de Umuarama), quatro irmãos também construiram na chácara de seis alqueires o Recanto Lagoa Azul. São duas piscinas num fundo de vale arborizado. Para chegar às piscinas é preciso descer uma escadaria de madeira rústica com quase 100 degraus. A quatro quilômetros de distância da cidade, o balneário está sempre lotado no verão, e dobrou a renda da propriedade. A manutenção destes centros de lazer é barata. As piscinas, de água corrente e abundante, não requerem nenhum tipo de tratamento.
A entrada custa apenas R$ 2 por pessoa e crianças com menos de seis anos não pagam. Por esse preço, dá para passar o dia todo no balneário. Famílias e grupos de amigos de Umuarama e outras cidades da região costumam organizar passeios e excursões aos parques. Em visita a parentes de Umuarama, a dona-de-casa Neuza Réquia, 38 anos, de Porto Alegre, esteve no balneário Riacho Doce com os dois filhos, de oito e seis anos e gostou do lugar. Eu não sabia que existiam parques aquáticos assim, simples, bonitos e baratos, disse.


