Pioneira do modernismo paranaense
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Na última semana, o nome da pintora e gravadora paranaense Irene Rolek ganhou destaque na imprensa por conta de um crime bárbaro. A artista, de 86 anos, foi brutalmente assassinada na madrugada do último dia 6 dentro de casa, onde morava com a irmã Sophia, de 87 anos, no bairro São Francisco, Região Central de Curitiba. Por conta das circunstâncias trágicas da morte, a obra de Irene Rolek acabou sendo abordada superficialmente, mas a artista teve um papel representativo para a gravura do Estado.
Irene Rolek começou a pintar no Círculo de Artes Plásticas do Paraná e participou do chamado Movimento de Renovação que iniciou a arte moderna no Estado. Segundo o crítico de arte e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Pontifícia Universidade Católica (PUC), Fernando Bini, entre o final dos anos 50 e a década de 70, havia uma promessa de os salões paranaenses se tornarem mais modernos mas isso demorou a acontecer. ''Então o pessoal se revoltou e houve a criação do Ciclo de Artes Plásticas, por ex-alunos da Escola de Belas Artes'', explica Bini. ''A obra dela tinha uma tendência expressionista, angustiada'', afirma o crítico.
Aluna do expressionista Guido Viaro, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), Irene optou pela arte figurativa mesmo num momento em que a produção local voltava-se ao abstrato. ''Se destacou por não seguir na época o abstracionismo. Assim como o Viaro, foi expessionista'', lembra o ex-diretor do Museu de Arte do Paraná (MAP), Ennio Marques Ferreira. Foi durante a gestão de Ferreira que algumas obras da artista passaram a integrar o acervo do Museu, que mais tarde deu origem ao Museu Oscar Niemeyer (MON).
De acordo com Pereira, que também é autor do livro ''40 anos de Amistoso Envolvimento com a Arte'' (2006), Irene Rolek foi uma das primeiras xilogravadoras paranaenses. ''Usava as cores primárias com bastante força, um colorido vibrante, o que tornava o trabalho original e diferente dos demais artistas que trabalhavam a mesma técnica'', conta o ex-diretor do MAP, que tratou pessoalmente com Irene a doação das obras da artista para o Museu. ''Procurei a Irene na casa dela porque na divisão de gravura do museu uma obra dela era imprescindível. Mas é preciso ter cuidado para não transformar uma gravadora de bom nível em artista internacional'', alerta Pereira, em referência à repercussão da morte de Irene na imprensa. ''Não se deve torná-la um mártir na arte. Ela é um mártir na sociedade, o que aconteceu com ela poderia ter acontecido a qualquer um de nós'', completa.
A partir dos anos 70 e 80, a pintora tornou-se mais reclusa. ''Foi se afastando. Pouco se viu da obra dela nessa época. Eram muito tímidas, ela e a irmã'', conta Pereira. Irene Rolek nasceu em Marechal Mallet, em 1931. Entre 1960 e 1976 participou de nove edições do Salão Paranaense e, em 1961, ganhou a medalha de bronze em gravura. Participou também de seis edições do Salão de Belas Artes da Primavera, com medalhas de bronze em gravura em 1962, 1964 e 1965, e medalha de prata em pintura em 1963 e 1964. A primeira mostra individual foi realizada em 1976, na Eucatexpo.
Irene Rolek é verbete no Dicionário de Artes Plásticas do Brasil, de Roberto Pontual, no Anuário de Arte Internacional 80/81 (França), no Quem é Quem na Arte Internacional - Dicionário de Arte Internacional edição de 96/97 (Suíça), e no livro Regardas - Edição de Arte de artistas femininas do Século XIX até os dias atuais (França), 1996.


