Pessoas andando apressadamente pelo Calçadão de Londrina. Passageiros correndo para entrar no ônibus em um movimentado Terminal Urbano. Um grupo caminhando no Parque Arthur Thomas. Cenas banais do cotidiano ganham cores e texturas da pintura impressionista. A preocupação em transformar o ato fotográfico em fazer artístico levou o fotógrafo Renilson Aparecido Guimarães a prolongar os instantes captados, dando a impressão da continuidade do movimento.
O resultado aparece em ''Fotografia/Pintura: o tempo a serviço do olhar'', trabalho de conclusão de Guimarães no curso de Artes Visuais, licenciatura em Artes Plásticas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Trabalhando com software de manipulação de imagem em um laboratório fotográfico percebo que as pessoas estão mais preocupadas com o pós-fotográfico, buscando a nitidez e a perfeição através do retoque da imagem. Neste trabalho escolhi o caminho oposto para que o ato fotográfico se evidenciasse'', justifica.
A análise de uma fotografia tirada há cinco anos em um parque de diversões na qual Guimarães tentou pela primeira vez fazer com que o movimento aparecesse foi o ponto de partida para as reflexões do fotógrafo. Utilizando uma máquina digital Nikon D80 com lente 18-135, um filtro polarizador para realçar as cores, e a técnica de panning (o registro do movimento na imagem sob a forma de um ''borrão'', conforme o objeto se desloque com relação ao enquadramento selecionado durante a exposição, ou o deslocamento do próprio equipamento), Guimarães transforma pessoas em movimento na cidade de Londrina em possibilidades para ''pintar'' suas impressões da vida no tempo e no espaço em transformação. ''Relaciono este trabalho com algumas características da pintura dos impressionistas (Monet, Renoir, Pissarro, Sisley, Cézanne, Berthe Morisot e Edgar Degas), como o borrão através das pinceladas, a mancha de tinta sugerindo movimento e os recortes que pediam complemento ao quadro'', argumenta o fotógrafo.
Guimarães comenta que começou a fotografar sem saber se conseguiria dominar a técnica. ''Inicialmente a câmera digital atrapalhava porque a captação do sensor é muito grande'', conta. Outro desafio foi identificar o que era interessante fotografar. ''Passei três dias no Calçadão observando cores, formas, contrastes, emoções, para dar um novo significado ao acaso'', afirma. Segundo Guimarães, a vivência pessoal do frenesi cotidiano (ele aproveitava os intervalos do almoço para fotografar) o fez refinar o olhar para tudo que o rodeia. Das 320 fotos, Guimarães selecionou 30 para o TCC, das quais 14 foram ampliadas e, possivelmente, ganharão uma exposição.

mockup