Depois de trocar Londrina pela capital paulista, o artista plástico Laércio Redondo abre sua primeira exposição individual naquela cidade. A exposição, com abertura amanhã, às 21 horas, será na Galeria Adriana Penteado Arte Contemporânea, da qual é artista representado.
Para esta primeira mostra, o artista estará fazendo uma certa recapitulação de seu carreira, expondo cerca de 40 obras - entre inéditas e antigas - em desenho e pintura. ‘‘Estou levando algumas pinturas mais antigas e alguns desenhos que forma mostrados no Memorial de Curitiba. E, junto com isto, apresento meu novo trabalho, a série ‘Ilha’, com 20 desenhos inéditos’’, afirma.
ReproduçãoA série faz parte de uma pesquisa estética que ele vem desenvolvendo há quase quatro anos, desde Varsóvia, na Polônia, onde trabalhou e expôs: o olhar do artista voltado para si mesmo, em registros frequentes formando quase que um diário de emoções e sentimentos. Na pesquisa, na qual já utilizou pintura e gravura como meio, ele vêm há dois anos seguindo o desenho e o papel, em um retorno ao princípio. ‘‘É quase como um acerto de contas com o passado para abrir caminho para o futuro’’, diz.
Para executar a série ‘‘Ilha’’, Laércio resgatou um antigo livro de medição pluviométrica, com registro diários feitos por um tio seu, em uma ilha do Rio Paraná. ‘‘Uma ilha que não existe mais e que fez parte importante da minha vida’’, explica. Sobre os registros antigos, Laércio trabalhou desenhos, em traços intimistas, que tentam ‘‘se firmar no mundo’’, embora fragéis e quase que se desintegrando. ‘‘As folhas usadas, com a letra do meu tio, resgatam uma poética, uma delicadeza do dia-a-dia. A minha letra, ao lado dos desenhos, faz um inventário do meu mundo, de um mundo que estou inventando agora’’, mostra.
Mario CesarLaércio Redondo:‘‘É muito interessante ter uma galeria me representando, onde os críticos vão conhecer novos trabalhos’’
Para Laércio, a oportunidade de expor seu trabalho em uma galeria de arte extremamente conceituada em São Paulo, em um período de menos de oito meses, é altamente satisfatório. ‘‘O grande lance foi que consegui entrar no mercado extremamente concorrido. Para mim, é muito interessante ter uma galeria me representando, onde os críticos vão conhecer os novos trabalhos’’, acredita. Segundo ele, seu objetivo é estar, agora, discutindo sua obra e, para isto, São Paulo é o melhor local. ‘‘Chega uma hora em que a pessoa tem que buscar isto, tentar sustentar-se fora daquele meio em que cresceu profissionalmente. Londrina é maravilhosa, mas é uma cidade nova e que já me ofereceu tudo o que podia’’, diz.ReproduçãoSérie Ilha, de Laércio Redondo: desenhos delicados feitos sobre um antigo livro de registros pluviométricos resultam em trabalho poéticoReproduçãoTelma Elorza

mockup