Pintores por um dia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de junho de 2015
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
A Unesco elegeu 2015 como Ano Internacional da Luz. Pensando nisso, a equipe pedagógica do Colégio Universitário elegeu um assunto que tivesse relação direta com o tema. E escolheu trabalhar com o girassol.
A Fazendinha do colégio serviu de palco para o projeto, realizado com crianças da Educação Infantil e que rendeu uma série de atividades interdisciplinares. Durante três meses, os pequenos puderam acompanhar o crescimento do girassol em suas fases de desenvolvimento, relacionando a experiência aos conhecimentos de biologia, literatura, história, artes e matemática.
Segundo a coordenadora pedagógica, Maria Luiza Kasuya, o primeiro contato com a planta foi feito com as sementes. "Realizamos vários testes em vidros para ver se a semente tinha uma boa germinação. Assim que os brotos apareceram fortes, começamos a preparar a terra. Cada um fez um buraco na profundidade de um palito de sorvete e enterraram a semente. Conforme ia crescendo, as crianças iam acompanhando semanalmente o desenvolvimento da planta. Aproveitamos para introduzir conhecimentos de escala e medidas para que calculassem o crescimento de uma semana para outra", relata.
Nesse meio tempo, conforme ela, os professores foram iniciando outras atividades em sala de aula tendo a mesma temática. "O professor de biologia do Ensino Médio explicou como se dava o processo de fotossíntese, explicando de que forma a planta se alimenta, como utiliza a luz solar para crescer", exemplifica.
Outra vertente abordada foi a literatura, por meio das poesias da escritora londrinense Lygia Araújo, que tem um livro dedicado exclusivamente ao girassol. "São vários poemas em que a escritora fala sobre o universo da planta. A professora aproveitou para falar sobre esse gênero e formas de escrita. Isso também enriqueceu o vocabulário. Pretendemos, agora, que a própria escritora venha falar com eles", adianta a coordenadora.
Raquel Calil Ruy, diretora educacional, diz que nas aulas de história, por sua vez, a professora comentou sobre a vida do artista Vicent Van Gogh. "Van Gogh era apaixonado por girassol e constantemente retratava a figura em suas obras. A professora aproveitou, também, para contar algumas curiosidades e vida do artista, que, além dos girassóis, fazia muitos autorretratos, ou seja, desenhava a si mesmo." Com essas informações, as crianças começaram uma série de desenhos do que tinham visto na Fazendinha.
Mas o "grand finale" do projeto estava por vir. Depois desse período acompanhando o crescimento da planta e de todos os conhecimentos adquiridos, foi momento de encarnar o papel de pintor e ir a campo observar para criar. Munidos de telas em cavaletes e tintas, as crianças ficaram um período na Fazendinha. Tiveram de escolher o girassol que mais lhe agradasse para, então, tentar retratá-lo na tela em branco. "Eles incorporaram o papel de pintores e se dedicaram à atividade. Ficaram observando detalhes da planta para retratar na pintura", acrescenta a diretora.
Segundo ela, esse formato de atividade faz parte da aprendizagem significativa, na qual as crianças veem sentido em aprender o tema. "Elas compreendem o objetivo do trabalho pois participam de todo o processo. Trabalhos desta natureza visam desenvolver três tipos de conteúdos: os atitudinais (comportamentos como respeito e tolerância), os factuais (disciplinas como português e matemática) e os procedimentais (as experiências vividas com as atividades). Além disso, trabalhamos com eles a importância do tempo de espera, neste caso, o crescimento do girassol, num mundo em que tudo já é dado pronto para eles."
O resultado dos desenhos e das aulas interdisciplinares, para a coordenadora, não poderia ter sido melhor: "Conseguimos que as crianças assimilassem o conteúdo de forma lúdica, prazerosa e prática."
Ela lembra, ainda, que as famílias também foram envolvidas no projeto de forma a criar um girassol estilizado fabricado com material reciclável. "A cada semana, uma criança foi sorteada para levar para casa. Esse girassol tinha que voltar com algum detalhe feito pela família. Podia ser uma pétala preenchida com botões, uma folha com tinta brilhante; o que importava era a criatividade, e, acima de tudo, a interação entre pais e filhos." Tanto as pinturas quanto os girassóis estão em exposição no colégio.


