ReproduçãoMartin Landau é Mestre Geppeto em ‘‘Pinocchio - O Filme’’Pinocchio - O Filme
A história, clássico da literatura infantil assinado por Carlo Collodi, todo mundo conhece. Geppetto, velho marionetista solteirão, encontra na floresta um pedaço de tronco de árvore com poderes mágicos. Na oficina, ele esculpe sua mais espetacular criação: um menino que adquire vida. Geppeto o batiza de Pinocchio. Logo o mundo se encarrega de separar criador e criatura.
Em cinema geralmente se admite que o realizador é o autor de um filme. ‘‘Pinocchio’’ é uma eloquente e enervante ilustração de um caso em que a paternidade escapou totalmente ao diretor - Steve Barron, descendente do video-clip - para ficar com a parte menos criativa do processo coletivo, a saber, produtores, executivos e peritos em marketing que são extremamente bem pagos para orientar o filme. É bom lembrar que ‘‘Pinocchio’’ não é um relato desprovido de interesse: o do boneco sempre atraído pelo Mal, sem capacidade de reagir num ou em outro sentido diante de incidentes morais e dramáticos determinantes. Disney edulcorou ligeiramente a história em sua adaptação de 49, mas soube bem conservar o essencial.
Nesta versão, no entanto, os ‘‘executivos’’ decidiram erradicar toda e qualquer imagem carregada de significação. E nesta ótica, esvaziaram o filme de sua substância de fábula moral. Permanece uma ilustração visualmente suntuosa, mas que se apóia num roteiro flácido, sem coração e sem cérebro.
(CELJ)

mockup