DivulgaçãoGuido Viaro dirige Guilherme Weber em ‘‘Fuirei’’O neto homônimo do artista plástico Guido Viaro resolveu dar umas pinceladas na tela grande do cinema. ‘‘Fuirei’’ é o curta-metragem escrito, produzido e dirigido pelo jovem cineasta.
As filmagens terminaram na semana passada, num antigo casarão que pertencia ao Barão do Serro Azul, em São José dos Pinhais - atrás do terreno que será ocupado pela fábrica da Renault. O filme marca a estréia de Guido Viaro na direção de cinema. Ele tinha experiência apenas com vídeo e como assistente de direção.
‘‘Fuirei’’ conta a história do encontro entre dois seres opostos por natureza. ‘‘É o confronto entre uma mulher livre e pura com homem preso ao tempo e espaço’’, define o diretor. Os diálogos também trazem à tona a discussão da mescla entre passado e futuro, como antecipa o título - por meio da união das palavras ‘‘fui’’ e ‘‘irei’’. ‘‘O personagem masculino vive em estado permanente de déjà vu, aquela sensação de já ter vivido o momento presente em outra época’’, comenta Guido.
Colorido e rodado em 16mm, o curta-metragem deve ser lançado em outubro, com 15 minutos de duração. As filmagens foram feitas em uma semana e a maioria das cenas se passa dentro da casa.
O elenco conta com os atores curitibanos Guilherme Weber (que se destacou em peças como ‘‘Baal Babilônia’’, ‘‘Rei Lear’’, com Paulo Autran, e agora em um trabalho com Denise Stoklos) e Fernanda Farah (de ‘‘Maldição’’, ‘‘R’’ e ‘‘Esperando Godot’’).
A diretora de fotografia e os assistentes de câmera e direção foram trazidos de São Paulo. O filme está orçado em R$ 5 mil, mas a equipe teve que improvisar para reduzir os gastos. ‘‘Utilizamos uma câmera de vídeo para captar a voz dos atores e fazer a sincronia entre som e imagem. Além disso, as únicas pessoas que receberam foram os dois atores - os outros trabalharam como colaboradores’’, conta Guido. ‘‘Foi muito difícil, mas é o pontapé inicial. Às vezes me sentia desanimado, mas o que me motivou foi a vontade de passar uma mensagem que não vemos no cotidiano.
Conto de fadas A idéia de rodar o filme nasceu há cerca de um ano, mas o que determinou o início das filmagens foi o achado do casarão que serve como cenário. ‘‘O local casou como uma luva com o roteiro. Tem elementos antigos e, ao mesmo tempo, da natureza, já que é cercado por uma floresta. Foi perfeito.’
Mas, apesar dos móveis do início do século e até de um calendário de 1908 pendurado na parede da casa, o filme não faz referências temporais. ‘‘Nada identifica o tempo, nem mesmo os figurinos. Ela usa um vestido campestre, que poderia ser utilizado desde a década de 30 até hoje, e ele tem uma roupa cinzenta. Além disso, ninguém diz quem são os personagens e o que estão fazendo naquela casa. É uma espécie de conto de fadas proposital’’, explica Guido.
A linguagem cinematográfica foi utilizada como reforço da mensagem. Para filmar a personagem feminina, o diretor optou por planos longos e câmera na mão, seguindo os passos dela. Nas cenas em que aparece o homem, a câmera ficou mais estática e com um ângulo de cima para baixo.
Contato Guido Viaro teve pouco contato pessoal com o avô, renomado pintor, escultor e gravurista ítalo-brasileiro. ‘‘Eu tinha apenas três anos quando ele morreu, em 71. Lembro vagamente dele e tive mais contato com suas obras’’.
O diretor de ‘‘Fuirei’’ diz que sempre foi fascinado pela área cultural. Fez aulas de pintura, mas chegou à conclusão que não nasceu com o mesmo dom do avô. Atualmente, prefere escrever, sempre relacionando a palavra à imagem. ‘‘Escrevo na impossibilidade de fazer filmes, já que é mais barato. Quando escrevo algum conto, sempre penso em uma maneira de filmá-lo’’.
Ele é formado em Letras mas trabalha como empresário da área de hotelaria, gerenciando um apart-hotel em Curitiba.
Admirador de Fellini, Glauber Rocha e Antonioni, Guido fez diversos cursos de cinema, mas seu primeiro trabalho foi em vídeo, quando filmou ‘‘Crepúsculo’’, em 89. O filme trata da lenda da loira que matava taxistas curitibanos na década de setenta.
Guido trabalhou também como assistente do cineasta paulista Ozualdo Candeias, no curta ‘‘Senhor Power’’. ‘‘O que me atraiu para o cinema foi o brilho da imagem, que não existe no vídeo’’, explica ele.

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