Pinceladas na telona
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terça-feira, 29 de julho de 1997
Guilherme Pupo Curitiba 
DivulgaçãoGuido Viaro dirige Guilherme Weber em FuireiO neto homônimo do artista plástico Guido Viaro resolveu dar umas pinceladas na tela grande do cinema. Fuirei é o curta-metragem escrito, produzido e dirigido pelo jovem cineasta.
As filmagens terminaram na semana passada, num antigo casarão que pertencia ao Barão do Serro Azul, em São José dos Pinhais - atrás do terreno que será ocupado pela fábrica da Renault. O filme marca a estréia de Guido Viaro na direção de cinema. Ele tinha experiência apenas com vídeo e como assistente de direção.
Fuirei conta a história do encontro entre dois seres opostos por natureza. É o confronto entre uma mulher livre e pura com homem preso ao tempo e espaço, define o diretor. Os diálogos também trazem à tona a discussão da mescla entre passado e futuro, como antecipa o título - por meio da união das palavras fui e irei. O personagem masculino vive em estado permanente de déjà vu, aquela sensação de já ter vivido o momento presente em outra época, comenta Guido.
Colorido e rodado em 16mm, o curta-metragem deve ser lançado em outubro, com 15 minutos de duração. As filmagens foram feitas em uma semana e a maioria das cenas se passa dentro da casa.
O elenco conta com os atores curitibanos Guilherme Weber (que se destacou em peças como Baal Babilônia, Rei Lear, com Paulo Autran, e agora em um trabalho com Denise Stoklos) e Fernanda Farah (de Maldição, R e Esperando Godot).
A diretora de fotografia e os assistentes de câmera e direção foram trazidos de São Paulo. O filme está orçado em R$ 5 mil, mas a equipe teve que improvisar para reduzir os gastos. Utilizamos uma câmera de vídeo para captar a voz dos atores e fazer a sincronia entre som e imagem. Além disso, as únicas pessoas que receberam foram os dois atores - os outros trabalharam como colaboradores, conta Guido. Foi muito difícil, mas é o pontapé inicial. Às vezes me sentia desanimado, mas o que me motivou foi a vontade de passar uma mensagem que não vemos no cotidiano.
Conto de fadas A idéia de rodar o filme nasceu há cerca de um ano, mas o que determinou o início das filmagens foi o achado do casarão que serve como cenário. O local casou como uma luva com o roteiro. Tem elementos antigos e, ao mesmo tempo, da natureza, já que é cercado por uma floresta. Foi perfeito.
Mas, apesar dos móveis do início do século e até de um calendário de 1908 pendurado na parede da casa, o filme não faz referências temporais. Nada identifica o tempo, nem mesmo os figurinos. Ela usa um vestido campestre, que poderia ser utilizado desde a década de 30 até hoje, e ele tem uma roupa cinzenta. Além disso, ninguém diz quem são os personagens e o que estão fazendo naquela casa. É uma espécie de conto de fadas proposital, explica Guido.
A linguagem cinematográfica foi utilizada como reforço da mensagem. Para filmar a personagem feminina, o diretor optou por planos longos e câmera na mão, seguindo os passos dela. Nas cenas em que aparece o homem, a câmera ficou mais estática e com um ângulo de cima para baixo.
Contato Guido Viaro teve pouco contato pessoal com o avô, renomado pintor, escultor e gravurista ítalo-brasileiro. Eu tinha apenas três anos quando ele morreu, em 71. Lembro vagamente dele e tive mais contato com suas obras.
O diretor de Fuirei diz que sempre foi fascinado pela área cultural. Fez aulas de pintura, mas chegou à conclusão que não nasceu com o mesmo dom do avô. Atualmente, prefere escrever, sempre relacionando a palavra à imagem. Escrevo na impossibilidade de fazer filmes, já que é mais barato. Quando escrevo algum conto, sempre penso em uma maneira de filmá-lo.
Ele é formado em Letras mas trabalha como empresário da área de hotelaria, gerenciando um apart-hotel em Curitiba.
Admirador de Fellini, Glauber Rocha e Antonioni, Guido fez diversos cursos de cinema, mas seu primeiro trabalho foi em vídeo, quando filmou Crepúsculo, em 89. O filme trata da lenda da loira que matava taxistas curitibanos na década de setenta.
Guido trabalhou também como assistente do cineasta paulista Ozualdo Candeias, no curta Senhor Power. O que me atraiu para o cinema foi o brilho da imagem, que não existe no vídeo, explica ele.


