O clima frio e a paisagem do inverno sombrio da Rússia ainda estão impregnados na memória de Elena Bytsenko, que há três anos deixou São Petesburgo para morar em Londrina e começar vida nova. ‘‘Eu nasci como artista no Brasil’’, conta. Aqui ela iniciou um trabalho nas artes plásticas que vem tomando boa parte de seu tempo. O que era para ser apenas entretenimento, ganhou um estímulo: Elena encontrou como desafio o trabalho de colocar na tela o contraste das cores brasileiras. Seus desenhos e pinturas ainda carregam toda essa herança do seu país de origem. Algumas de suas obras podem ser vistas na exposição individual que está aberta no Espaço Cultural Ceddo, em Londrina, com oito desenhos em lápis e nanquim e 10 quadros com em óleo sobre tela.
‘‘No Brasil, entro em contradição comigo mesma. Não consegui ainda pintar uma paisagem brasileira, fazer os contrastes das cores. É preciso uma técnica específica para isso. Preciso observar mais, pesquisar’’, comenta.
Além das cores, as técnicas também são uma dificuldade no trabalho da artista. Autodidata, ela tenta descobrir através de suas pinturas e desenhos de rostos e paisagens as soluções encontradas pelos grandes mestres da pintura. Fascinada pelas cores de Raphael e Ticciano e de pintores impressionistas, Elena tenta reproduzir os mesmos efeitos em telas e papel. Seus estudos se baseiam em cópias de obras consagradas que estão em museus de todo mundo. ‘‘A primeira tarefa é aprender o jeito dos mestres. Para desenhar de cabeça é preciso técnica, conhecer as cores. Mas até agora não consegui’’, diz.
A artista quer chegar à criação de suas próprias obras. ‘‘Li muito sobre arte, sempre estou consultando livros, mas não sei o segredo dos mestres. Pretendo sofisticar minhas telas a partir desse trabalho’’, frisa Elena, que conviveu com a arte desde criança, em São Petesburgo, onde está um dos maiores museus de arte do mundo, o Hermitage.
Elena Bytsenko começou a pintar por curiosidade, ao ver quadros de uma amiga de sua filha e fazer uma experiência. Não parou mais. ‘‘Na Rússia eu não tinha tempo nem desejo para isso. Como aqui não tinha o que fazer, precisava matar o tempo. Agora não faço quase nada em casa, só desenho’’, brinca. Elena chegou em Londrina com o marido, um físico que veio trabalhar na UEL. Um ano depois chegou a filha, Anastácia, e a família se estabeleceu na cidade. ‘‘Sinto só ter começado agora. Eu tinha que ter chegado antes no Brasil’’, finaliza.
Exposição de retratos e paisagens de Elena Bytsenko. Até fevereiro, em horário comercial, no Centro Diagnóstico de Documentação Odontológica – Ceddo (Rua Pernambuco, 725), em Londrina.

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