Elas não malhavam, não aplicavam silicone nos seios e nem recorriam à lipo para tornar seus corpos mais desejáveis. Mas na primeira metade do século 20, as pin-ups é que monopolizavam o voyeurismo masculino fazendo a temperatura subir.
Acredite se quiser, mas há quem afirme que a circulação de suas fotografias e desenhos no front teria amenizado as agruras dos soldados norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje em dia, o culto às pin-ups pode ser medido pela profusão de sites a elas dedicados na internet, além dos álbuns de luxo que volta e meia abastecem o mercado editorial.
É o caso do livro ‘‘Petty’’ (Randon House Value), de George Petty, que reúne suas ilustrações da década de 30. O artista celebrizou-se ao homenagear o glamour voluptuoso das garotas em dezenas de capas de revistas, convocando inclusive sua filha – Marjorie – para servir de modelo.
Outro livro não menos recomendável para compreender o fenômeno é ‘‘Gil Elvgren – All His Glamorous American Pin-Ups’’ (Taschen), de Charles G. Martinette e Louis K. Meisel. De capa dura, traz a biografia e mais de 580 reproduções de pinturas a óleo de Elvgren. Além dos dois, outros nomes despontaram no gênero nos Estados Unidos.
O peruano Alberto Vargas foi um deles, criando cartazes e pôsteres com as dançarinas que se apresentavam nos espetáculos da Broadway, capitaneadas por Florenz Ziegfeld. As meninas de Ziegfeld tornaram-se modelo de beleza na América – uma delas, Louise Brooks, se destacaria e partiria para carreira-solo.
O furor provocado por elas é destacado num documentário sobre pin-ups exibido periodicamente pelo canal pago GNT. Charles Dana Gibson foi outro craque na popularização dessas imagens gráficas sensuais. Desenhou mulheres deslumbrantes para os pôsteres que a revista Life fornecia como brindes a seus leitores.
No Brasil, não há editado sobre o fenômeno, salvo matérias esparsas publicadas em jornais e revistas. No ano passado, a editora Escala prestou um tributo ao gênero lançando um calendário com fotos de modelos inspirando-se em personagens femininas de ficção científica. Há pouco, o pesquisador Marco Aurélio Luccetti lançou o livro ‘‘As Sedutoras dos Quadrinhos’’ (Opera Graphica) trazendo algumas referências ao fetiche.
Nos Estados Unidos, elas permanecem intocáveis no imaginário masculino desde que se estabeleceram na indústria do entretenimento adulto entre os anos 20 e 50. Na época, invadiram todos os setores aparecendo também nas capas das revistas policiais baratas – as pulp fiction.
Superexpostas, acompanharam o vaivém da moral e dos costumes, a exemplo do cinema e das histórias em quadrinhos. E conforme as oscilações da repressão puritana, apresentavam-se mais à vontade em alguns períodos e recatadas em outras circunstâncias. Nos anos 30, após a Lei Seca, e nos anos 70, época de forte censura à indústria do sexo, tiveram que conter suas sugestões lascivas.
O auge das pin-ups ocorreu durante a 2ª Guerra, quando os altos escalões do exército americano decidiram alegrar as tropas mandando jogar milhões de calendários de pin-ups dos aviões. Mas apesar da visibilidade conquistada na América, elas surgiram primeiramente na Europa em fins do século XIX em cartões-postais franceses e alemães para só mais tarde apimentar revistas masculinas, cartazes, baralhos, espelhos e material impresso variado em outras regiões do mundo.
Nos Estados Unidos, a revista Playboy foi a primeira a conferir status às beldades de papel. É a que ainda hoje dá as cartas no negócio do nu feminino, só que já sem o erotismo quase inocente das pin-ups.

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