Pin-ups em cartaz
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segunda-feira, 01 de setembro de 2008
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Pernocas de fora, uma franjinha inocente e uma pose sexy. Não precisava de mais nada para incendiar o imaginário masculino nos Estados Unidos da década de 40, época auge das pin-ups, beldades desenhadas em cartões, calendários e maços de cigarros.
De lá para cá, o nu feminino se vulgarizou, mas não conseguiu sufocar o conceito de pin-up, que volta e meia inspira o universo da moda e da arte. A artista londrinense Priscilla de Carvalho pesquisa o tema há alguns anos e, nesta temporada, decidiu montar uma exposição com ilustrações calcadas no estilo.
A exposição será inaugurada hoje no Espaço Art do Sesc de Londrina, que o público poderá visitar das 8h às 22h, até o dia 26 de setembro. ''A imagem das pin-ups exerce fascínio porque apresenta um misto de ingenuidade e atrevimento'', diz a artista, que formou-se em Estilismo em Moda no ano passado.
Segundo ela, trata-se de um ícone de sensualidade bastante atual, que contraria o modelo de mulher independente, máscula dos anos 80 e 90. ''Há uma volta à feminilidade. Em Londrina, vejo meninas resgatando os cortes de cabelos e o jeito de se maquiar e se vestir das pin-ups. Há até salões de cabeleireiros especializados no estilo'', salienta.
As pin-ups receberam esse nome porque suas fotos eram penduradas nos quartos de seus admiradores. Sua origem remonta ao final do século 19 com as dançarinas do teatro de revista, as estrelas da época, que eram fotografadas para revistas e anúncios. O apogeu ocorre na década de 40, nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial.
Os oficiais as chamavam carinhosamente de ''a arma secreta'', usada para acalmar os anseios dos pracinhas nas frentes de batalha. Seria uma forma de aplacar a solidão dos soldados. As imagens alimentavam fantasias: as beldades de papel nunca apareciam vulgares ou oferecidas, mas convidativas com suas meias-calças e corpetes com decotes enormes.
As modelos retratavam o padrão de beleza da época: seios fartos, pernas grossas e cinturinha de pilão. O sucesso dos cartões e calendários estimulou editores a lançar revistas especializadas, as chamadas girlie magazines. As garotas estampavam as páginas vestidas de coristas, marinheiras, enfermeiras e outros uniformes-fetiches, sejam desenhadas ou fotografadas.
Embora as mais célebres sejam as garotas de papel, alguns fotógrafos dispensavam os retoques da pintura e publicavam suas pin-ups em carne e osso. Priscilla, aliás, também planeja montar uma exposição fotográfica futuramente com a mesma temática, dessa vez usando modelos reais. Ela conta que as ilustrações expostas no Sesc nasceram do trabalho de conclusão de curso no curso de Estilismo em Moda na UEL.
A artista explica que as etapas de criação começam com desenhos a lápis na prancheta, depois são finalizadas no computador e em seguida impressas em papel fotográfico. ''As poses e as formas dos desenhos foram inspiradas em artistas do passado, em especial nos trabalhos de Alberto Vargas'', completa ela. A exposição reúne 8 de uma série de 26 ilustrações.
SERVIÇO
- Pin-Ups - Priscilla de Carvalho
Quando - De hoje ao dia 26 de setembro, das 8h às 22h
Onde - Espaço Art do Sesc de Londrina (R. Fernando de Noronha, 264), em Londrina
Mais informações - (43) 3378-7800 ou 3378-7831


