PILHA
Início de temporada
Quem vem por aí? Depois do show inaugural de Nando Reis, a boate londrinense Vega vai receber o cantor e compositor mineiro Wilson Sideral, que se apresenta no palco da casa no próximo dia 20. No mesmo dia, a banda holandesa No Turning Back movimenta a agenda alternativa da cidade tocando no Vitória Café. A programação no circuito dos porões ruidosos prossegue com shows da banda baiana Headhunter (dia 18 desse mês), da paulista Desdominus (dia 11 de fevereiro) e da mineira Tuatha de Dannan (17 de março).
DISCOS
Banda da hora
A banda escocesa The View, que lança seu primeiro álbum na próxima semana, pode ser a próxima sensação/hype da mídia pop mundial tomando o posto dos Arctic Monkeys. As faixas do disco, intitulado Hats off To The Buskers, já circulam em trocas de arquivos musicais na Internet. O som emula os Libertines, tanto nas incursões pelo ska quanto nos vocais e nos riffs de guitarra (aqueles trins-trins que se tornaram marca registrada da geração Strokes). As atitudes fora do palco, como declarações polêmicas e badernas em hotéis, também têm sido associadas à extinta banda de Pete Doherty. Mesmo assim, há um punhado de faixas vibrantes ali capazes de entusiasmar até as facções mais empedernidas da crítica. Wasted Little DJs é já uma das grandes canções da temporada. Mas há ainda Superstar Tradesman, Claudia e Street Lights. O lançamento nas lojas está previsto para o dia 20. Na lógica voraz da mídia pop, a fila tem que andar. The View é o hype da vez.
Glam rock
M é o nome da banda. Future Women é o nome de seu primeiro disco. O som é retrô-revivalista, executado num instrumental que extrai timbres de época. O grupo alia vocais glam rock a guitarras tôscas que parecem emprestadas de alguma garagem perdida dos anos 60. Entre as faixas, a animada Mansion in the Valley desponta como uma perfeita síntese da proposta musical do grupo.
Estética garageira
A banda Welcome é outra que segue a linhagem revivalista no álbum Sirs, inspirando-se também na estética garageira de quarenta anos atrás, a exemplo de bandas agrupadas em torno do selo Elephant 6. Vocais abafados, timbres de guitarras, psicodelias, tudo parece capturado no baú. Mas apesar das boas referências, o disco soa apenas derivativo, sem qualquer faixa capaz de empolgar os adeptos da sonoridade sixtie.
Canções para dias de chuva
O cantor e compositor Mark Linkous, figura legendária do rock independente americano, desovou mais um lote de composições tristonhas no mercado. À frente da banda Sparklehorse, está lançando o álbum Dreamt for Light Years in the Belly of a Mountain, o quarto da carreira e que sai dos fornos cinco após o último trabalho. O disco traz canções cadenciadas, vocais contidos, guitarras dedilhadas, cordas e barulhinhos eletrônicos ocasionais. A balada dolorida Mountains sobressai no repertório, cuja faixa Morning Hollow traz participação de Tom Waits ao piano.
Parece mas não é
É fácil ouvir o trio norte-americano Headlights imaginando tratar-se de uma banda indie sueca. Os vocais femininos hesitantes, a candura melódica e os arranjos delicados podem iludir o incauto. No álbum Kill Them With Kindness, o trio de Illinois combina tais elementos em temas cativantes, quase todos impregnadas de alguma melancolia. Signs Point To Yes, Your Old Street, Words Make You Tired e Put Us Back To Together Right destacam-se no material mesclando quarteto de cordas, piano, guitarra e sintetizadores. Belo álbum de estréia.
Nelson Sato
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