Soltando o frango

  O trio curitibano Bonde do Rolê, que foi escalado para tocar em outubro na versão carioca do Tim Festival, está lançando seu primeiro disco no Brasil. É o EP ‘‘Solta o Frango’’, que chega às lojas pelo selo Open Field, com distribuição pelo Peligro. O repertório apresenta o habitual pancadão carioca recheado de letras abusadas e riffs sampleados de bandas de rock que tanto maravilhou produtores gringos. O disco traz as faixas ‘‘Solta o Frango’’, ‘‘Bondalicca’’, ‘‘Caminhão de Gás’’, ‘‘Quero te Amar’’, ‘‘Melô do Tabaco’’ (remix) e ‘‘Dança da Ventuinha’’ (remix). Marina, Gorky e Pedro voltaram recentemente de uma excursão pelos Estados Unidos. E já descolaram um novo giro pela América para novembro, além de uma turnê em dezembro pelo Japão.

Últimos acordes

  O ano de 2006 será lembrado, no mundo do rock, por pelo menos duas perdas inestimáveis: a extinção do legendário programa da TV inglesa Top of The Pops e o fechamento do clube CBGB’s em Nova York. Top of The Pops (que era exibido no Brasil pelo canal pago People & Arts) foi ao ar pela última vez em julho passado após 42 anos de transmissão ininterrupta pela BBC de Londres. Durante esse período, o programa foi vitrine obrigatória para artistas e bandas divulgarem seus trabalhos. Até o surgimento de canais de música como a MTV, nos anos 80, só havia duas alternativas para ver um artista tocando: ao vivo ou no Top of The Pops. A mudança dos tempos matou o programa. O CBGB’s, por sua vez, fechará as portas no próximo dia 30. Templo do punk na década de 70, a casa funcionou por mais de 30 anos abrigando inicialmente shows históricos dos Ramones, Patti Smith, Talking Heads, Blondie e Television. Atolado em dívidas, seu proprietário não pôde renovar a licença de funcionamento do imóvel. Um final menos triste, porém, parece estar reservado ao local: sua reabertura em Las Vegas, prevista para 2008.


DISCOS

Destinado às pistas

  Falar de The Rapture é falar de euforia nas pistas de dança. Nesta temporada de oscilações climáticas, o grupo volta a abastecer sets de DJs, três anos depois de conquistar o mundo com o hit ‘‘House of Jealous Lovers’’. O lançamento do novo álbum ‘‘Pieces of The People We Love’’ rola na próxima segunda-feira. Mas as faixas, como de praxe, já vazaram para a Internet. De repertório irregular, o disco traz pelo menos duas composições levanta pistas – a canção-título e ‘‘Don Gon Do It’’, que sobressaem combinando refrões contagiantes e instrumental chacoalha-assoalhos. Já em ‘‘Calling Me’’, de andamento mais lento, a banda soa como uma versão nova-iorquina do grupo inglês Portishead. Um pitada trip hop no caldeirão punk dance.

Os novos góticos

  O nome da banda chama atenção pela extensão: I Love You But I’ve Chosen Darkness (Eu Te Amo Mas Escolhi as Trevas). Os caras são de Austin, Texas (EUA), mas lembram bandas inglesas góticas de meados dos anos 80, ainda que marquem uma distância enorme da sonoridade pós-punk que anda em voga no pop mundial. O álbum de estréia ‘‘Fear Is On Our Side’’ traz melodias sombrias, teclados climáticos e camadas sobrepostas de guitarras. Esqueça a pose dark que envolve o disco e a banda. O som, que é o que conta, não desaponta.


Entre guitarras e batidas

  Muito comentada por aí, a banda inglesa The Sunshine Underground dividiu rigorosamente seu álbum de estréia (‘‘Raise The Alarm’’) em dois blocos de canções abrindo com as mais animadas e fechando com as mais melodiosas. Se as primeiras faixas adotam a batida dance punk, as que completam o disco colocam ênfase nas guitarras indies. Não interessa se parecem emular o The Rapture aqui e o The Killers ali, o que impressiona é que os caras executam a parada com competência. Depois de ouvir as viciantes ‘‘Put in Your Place’’ e ‘‘Commercial Break Down’’, todo mundo vai querer saber que outras bandas legais estão sendo paridas em Leeds.

Nelson Sato
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