Com atraso
  Comprovando a teoria de que as gravadoras brasileiras não primam pela rapidez de raciocínio, só agora chegam às lojas do País dois lançamentos importantes, que estavam disponíveis nas importadoras há tempos. Esta semana, foram lançados por aqui ‘‘Broken Boy Soldiers’’, álbum de estréia dos Raconteurs, e ‘‘Please Leave Quietly’’, DVD da cantora inglesa PJ Harvey. Os Raconteurs, conforme já informado nesta coluna, são um projeto de Jack White (dos White Stripes) com Brendan Benson, parceria que rendeu um dos melhores discos do ano. Já o DVD de PJ registra a turnê que a cantora realizou em 2004 (e que passou pelo Brasil, no Tim Festival).

100 clipes
  Para quem tem preguiça de procurar no YouTube: o Pitchfork separou os 100 clipes favoritos da equipe do site em links, prontinhos para assistir. A lista tem desde A-Ha e Madonna até Pavement e Kraftwerk. Para conferir: www.pitchforkmedia.com/page/features.

Festival
  A boataria anda solta: Ladytron, Klaxons e Violent Femmes no Curitiba Rock Festival (que deve mudar de nome), no segundo semestre? Hummmm... Será suficiente para quem trouxe Pixies e Mercury Rev ao Brasil?

Dançante e derivativo
  No conceito, os Kooks, de Brighton, Inglaterra, são fiéis ao espírito do ‘‘novo’’ rock: o som da banda é dançante, retrô e derivativo. Só que, ao invés de se ater a Stooges e Gang Of Four, o grupo processa influências dos Kinks, o que torna os Kooks uma espécie de temporão do britpop. ‘‘Inside in/Inside Out’’ (Virgin - importado) deve agradar os fãs menos exigentes de Supergrass, assim como Kaiser Chiefs agrada quem se contenta com um genérico de Blur. O repertório do álbum é pouco empolgante e traz apenas uma grande canção, ‘‘See The World’’, que pode rolar tranqüilamente em qualquer balada indie.

Baladas bovinas
  Você sabe que o rock atravessa uma grande entressafra quando uma banda chatíssima como o Keane vira sucesso de público e crítica. Em ‘‘Under the Iron Sea’’ (Island - importado), o grupo ainda mira no Radiohead, mas o máximo que consegue é alcançar U2 e Coldplay (nenhum mérito nisso). Está tudo lá: as baladas bovinas ao piano, os climas forçados, as letras banais, os vocais chorosos... Tem quem goste. Mas até ontem o Air Supply assombrava as FMs com o mesmo som e nenhum jornalista elogiava.

Cópia dos Strokes
Se alguém tivesse distorcido os vocais do disco ‘‘It’s Never Been Like That’’ (Source - importado), você poderia jurar que estava diante de mais um álbum dos Strokes. Mas é o novo disco da banda francesa Phoenix. O grupo, que se tornou meio conhecido dos indies brasileiros ao ter uma canção incluída na trilha sonora do filme ‘‘Encontros e Desencontros’’, faz uma leve mudança de rota e centra foco em guitarras e melodias que remetem diretamente à turma de Julian Casablancas, ainda que com menos sujeira. Porém, mesmo quando inspirado (‘‘Consolation Prizes’’, ‘‘Courtesy Laughs’’), o Phoenix não alcança a genialidade de ‘‘Is This It’’, o primeiro álbum dos Strokes. Mas já está bem melhor do que aquela coisa chamada ‘‘First Impressions Of Earth’’, que Casablancas expeliu há pouco.
Fábio Galão
(interino)

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