Melhores atrasados
  A última lista de melhores de 2005 veio bem atrasadinha. Na edição que chegou às bancas esta semana, a Bizz apresenta os destaques do ano passado, segundo leitores e jornalistas. O Franz Ferdinand foi eleito artista do ano, tanto pelo público quanto pela crítica, e seu segundo disco, ‘‘You Could Have It So Much Better’’, repetiu a unanimidade na categoria melhor álbum. O público elegeu ‘‘Do You Want To’’, do FF, a melhor música de 2005, enquanto a vencedora entre os jornalistas foi ‘‘Daft Punk Is Playing At My House’’, do LCD Soundsystem. Nas outras categorias, destaques para Arcade Fire (revelação do ano, tanto para o público quanto para a crítica, e melhor show segundo os jornalistas), Strokes (melhor show na votação do público) e para o DVD ‘‘No Direction Home’’, documentário de Martin Scorsese sobre Bob Dylan (melhor DVD segundo público e crítica).


Melancolia inédita
  Os fãs xiitas estão sabendo desde o ano passado, então a dica vai para os menos dedicados: estão circulando na internet mp3s de canções inéditas do cantor norte-americano Elliott Smith, que morreu em 2003 (a princípio, falou-se em suicídio, mas a família de Smith contesta). As músicas em sua maioria são sobras do último álbum do cantor, ‘‘From A Basement On The Hill’’, lançado postumamente, e algumas são registros de sessões de discos anteriores. Os apreciadores do folk melancólico de Smith precisam conferir. Está difícil de achar no Soul Seek? Baixe tudo em www.elliottsmithbsides.com/BasementIIDemos.htm.


Guitarras do passado
  Antes disponível apenas em VHS, ‘‘The Astoria London Live’’ (EMI) finalmente ganha edição em DVD. O vídeo traz uma apresentação do Radiohead na capital inglesa, em 1994. O clichê ‘‘momento de transição’’ poderia ser aplicado ao grupo de Thom Yorke naquele ano – o Radiohead iniciava o salto entre o roquinho ingênuo de ‘‘Pablo Honey’’ (1993) e a musicalidade mais ousada de ‘‘The Bends’’, que seria lançado no ano seguinte e prenunciaria a revolução de ‘‘Ok Computer’’ (1997) e o aprofundamento insano a partir de ‘‘Kid A’’ (2000). O quinteto surge impregnado de gana adolescente, em canções recheadas de guitarras pesadas (‘‘Just’’, ‘‘Maquiladora’’, ‘‘Pop Is Dead’’, ‘‘Bones’’), que por vezes embalam a angústia (‘‘Fake Plastic Trees’’, ‘‘The Bends’’, ‘‘Black Star’’) que fez de ‘‘The Bends’’ o disco favorito de muitos fãs. Só que essa banda não existe mais.


DVD evidencia influências dos Hives
Barulho na Bélgica
  Na seara do chamado novo rock, o Hives é uma das bandas mais barulhentas. Justamente porque, ao invés de se apegar à new wave e ao pós-punk (principais taras de Franz Ferdinand, Interpol e tantos outros), a banda sueca é fascinada pelo punk inglês safra 77 (‘‘Dead Quote Olympics’’ é Clash puro) e pelo rock de garagem americano dos anos 60 (Sonics, MC5, Stooges). Ao vivo, essas referências altamente hormonais ganham (ainda mais) velocidade e peso, como é possível verificar no recém-lançado DVD ‘‘Tussles in Brussels’’ (Universal Music - importado), registro de uma apresentação do Hives na Bélgica. É possível deixar de gostar de uma banda que abre um show com uma música chamada ‘‘Abra Cadaver’’? Dali em diante, entre seus poucos hits (‘‘Main Offender’’, ‘‘Hate To Say I Told You So’’), os Hives aproveitam para enfiar goela abaixo da platéia majoritariamente adolescente canções extremamente punks, quase hardcore (‘‘Outsmarted’’, ‘‘a.k.a. I-D-I-O-T’’). Tudo muito divertido - como é que o pessoal que organiza festivais ainda não trouxe essa banda ao Brasil?


Fábio Galão
(interino)

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