PILHA
A frustração da temporada
É a primeira audição que conta. Se não entusiamou, esqueça. Interpol entrou na lista das bandas novaiorquinas bem-sucedidas com seu álbum de estréia, lançado há dois anos, inclusive no Brasil. Mas não há nada à altura em ''Antics'', seu novo CD. O disco, que está previsto para chegar às lojas em setembro, já vazou para a Internet. O material mantém a sonoridade calcada no pós-punk britânico dos anos 80, só que carente de fôlego e inspiração. A afoiteza de quem correu para baixá-lo resultou em frustração. Com alguma generosidade, é possível pinçar uma ou outra faixa menos decepcionante (caso de ''Take You on a Cruise'' e ''C'mere''). Mas aí já estamos na terceira ou quarta audição, quando forçamos a barra para extrair alguma potência do repertório. Interpol prometia.
Além da cópia
O Stereolab já não empolga como em seus primórdios, mas sua influência é inegável sobre a comunidade indie. As meninas do quarteto Electrelane, de Brighton (Inglaterra), revelam-se discípulas aplicadas no álbum ''Power Out'', o segundo delas. Da matriz, emprestaram os vocais contidos, a monotonia melódica, os timbres do órgão farfisa e as letras alternando francês e inglês. Alguns detalhes, porém, mostram a construção de uma sonoridade própria e devaneios por outras vertentes musicais. Em ''The Valleys'', capricham no arranjo vocal incorporando coro gregoriano. Em ''Love Build Up'' e ''Only One Thing is Needed'' enveredam pelo synth pop. E na instrumental ''You Make Me Weak At The Knees'' privilegiam o piano com um sutil apelo jazzístico. Há ainda riffs certeiros de guitarras pontuando boa parte das faixas.
Para ouvir olhando a chuva
Baladas ácidas, balada doloridas, daquelas de ouvir olhando a chuva cair sobre os telhados. No álbum de estréia da banda The Concretes quase tudo conspira para suscitar arroubos de romantismo e melancolia. Com vocais hesitantes, Victoria Bergsman sobressai no disco, mesmo cantando a uma nota da desafinação. Já saudado como uma das grandes revelações da temporada pela imprensa pop internacional, o octeto de Estocolmo (Suécia) herda a linhagem melódica de Velvet Underground e Jesus & Mary Chain, substituindo o motim das guitarras pela delicadeza harmônica. Na animadinha ''Seens Fwe'', o grupo remete às gravações da extinta gravadora Sarah Records. Mas, aposte, a faixa que todo mundo vai citar nos blogs como a canção indie do ano chama-se ''This One's For You''. Nasceu um clássico.
Nelson Sato
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