Picasso a cerâmica nas mãos de um gênio
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terça-feira, 07 de abril de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
Trinta obras originais de cerâmica feitas pelo artista plástico espanhol Pablo Ruiz Picasso estarão expostas no Salão Paranaguá, do Memorial de Curitiba, a partir do dia 14 de abril, às 20 horas.
As peças, produzidas entre 1948 e 1969, serão trazidas pela Fundação Cultural de Curitiba, de Buenos Aires, e pertencem à companhia argentina Texoart. Pela primeira vez esse conjunto, adquirido de colecionadores europeus há cerca de um ano, realiza excursão latino-americana. Já foi apresentada no Museu de Arte Decorativa de Buenos Aires e no Pavilhão Cultural Renée Behar, em São Paulo. Segundo o empreendedor cultural Miguel Frias, organizador da exposição, as cerâmicas de Picasso deverão ser mostradas também no Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro.
As cerâmicas de Picasso são consideradas parte integrante de sua obra escultórica. Segundo o curador Frias, Picasso uniu os aspectos da pintura e da escultura, descobriu novas formas plásticas e possibilidades de pintura sobre superfícies não planas.
Essa vertente da produção do artista passou a ganhar maior importância a partir da década de 80, quando foi realizada uma grande exposição no Museu de Arte de Nova York.
O Picasso ceramista nasceu casualmente durante uma visita do pintor às oficinas de cerâmica Madoura, em Vallauris (França), entre 1946 e 1947. Inicialmente trabalhou com formatos conhecidos, especialmente pratos, e posteriormente realizou as mais diversas formas, incorporando-lhes o desenho e a cor.
Picasso começou a experimentar a cerâmica na oficina do casal Ramié. Este meio era para Picasso não só um campo de experimentação, senão também um território em que se via, a si mesmo, como aprendiz.
Seus trabalhos, nunca considerados como cerâmica tradicional devem ser considerados como parte integrante de sua obra escultória. É nesse meio de profunda tradição popular que Picasso advertiu como é possível unir os aspectos da pintura e da escultura.
O descobrimento de novas formas plásticas e pintura sobre superfícies não planas lhe permitiram desenvolver uma arte de síntese e de acento extraordinariamente criador.
Os procedimentos técnicos tinham para ele um significado secundário, trabalhava de um modo nada ortodoxo, já que sua intenção não foi obter qualidades próprias de um técnico do ofício e sim investigar os aspectos de forma e de cor, de variadas e sugestivas formas, de imensos recursos e possibilidades plásticas.
No início trabalhou com formas conhecidas, especialmente pratos, para gravar sobre eles pinturas e formas. Posteriormente realizou as mais diversas formas escultórias, incorporando-lhes o desenho e a cor. As inovações se acompanharam de evocações, lembranças de cerâmicas ibéricas primitivas e populares.


