DivulgaçãoArthur Moreira Lima: CD é um projeto de 30 anosArthur Moreira Lima encontra Astor Piazzolla esta noite, no palco do grande auditório do Teatro Guaíra, às 20h. O evento que possibilitou esse encontro é a comemoração dos ‘‘150 anos da Siemens no mundo’’. Como se vê, será um espetáculo para convidados.
A sessão promete mais que um recital. O pianista estará lançando nacionalmente o CD ‘‘Arthur Moreira Lima Interpreta Piazzolla’’. A execução da música do compositor e bandoneonista argentino é uma aspiração que vem de longe. Passou por três décadas, até efetivamente acontecer.
Ele conta que quando ouviu Piazzolla pela primeira vez, teve um momento ‘‘de estupefação, choque, emoção, identificação e admiração’’. Foi aí que fez uma promessa a si mesmo de ‘‘tocá-la ao piano, quem sabe até gravar um disco. Trinta anos depois realizei meu projeto’’.
Para chegar ao CD o músico fechou-se no estúdio que tem no Costão do Santinho, em Florianópolis, e durante semanas estudou em média dez horas por dia. Depois viajou para Londres - numa igrejinha de excelente acústica, no sul da cidade, fez a gravação do disco. Foram cerca de 15 dias, no mês de junho.
Onze temas chegaram ao CD, dez deles transcritos para piano por Laércio de Freitas. Apesar de sua conhecida produção, o compositor argentino escreveu apenas uma música para piano-solo. Da seleção não poderia falar ‘‘Balada para un Loco’’, talvez a canção mais conhecida de Piazzolla no Brasil.
É curioso saber que ‘‘Tangata Silfo y Ondina’’, outra das faixas, é uma suíte de balé composta especialmente para o coreógrafo Oscar Araiz e que ‘‘Adiós Nonino’’, foi apresentada com arranjo de Laércio Freitas ao compositor e inteiramente aprovada por ele, quando ouviu-a na casa de Moreira Lima, no Rio de Janeiro.
Tem ainda ‘‘Soledad’’, ‘‘Decarissimo - El Tango Bailable’’, ‘‘Oblivion’’, que faz parte da trilha sonora do filme ‘‘Henrique V’’, ‘‘Tango-Prelúdio’’, a única peça originalmente escrita para piano, ‘‘Onda Nueve’’, homenagem de Astor Piazzolla ao seu Noneto.
Choros e tangosChegar ao compositor argentino a estas alturas da carreira de Moreira Lima, transformou-se numa coisa natural. A expectativa é grande pela força dos nomes no cenário artístico internacional, mas não chega a causar impacto e estranheza como foi há 20 anos, quando o pianista colocou num célebre álbum a música de Ernesto Nazareth.
Piazzolla também mexeu com os brios dos conservadores e esnobes - compunha um tipo de tango diferente e tocava bandoneon em pé. Foi preciso embarcar para os Estados Unidos, ser reconhecido na Europa para fazer as pazes com seu país. Dramas que Moreira Lima não viveu, mas que de algum modo explicam a amizade profunda que uniu os dois artistas.

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