PIANO NAS MÃOS DE UM MESTRE
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2001
Fernando Tupan<br>De Curitiba 
Consagrado internacionalmente, o pianista mineiro Nélson Freire, um dos melhores da atualidade, faz hoje, às 21 horas, um concerto no Teatro Guaíra, em Curitiba. Sem precisar provar o seu talento, o único brasileiro escolhido para figurar no CD ''Great Pianist of the 20th Century'' vai tocar três estudos de Chopin, Beethoven em sua fase romântica e ''Cenas Infantis'' de Schumann.
Apesar de ter adquirido fama por suas interpretações do período romântico, em especial Chopin, Freire se destaca pela sua versatilidade e sensibilidade musical. Apaixonado pela obra de Heitor Villa Lobos, gravou as ''Bachianas Brasileiras'', ''Prole do Bebê'', ''Três Marias'' e a peça mais difícil do compositor, ''Rude Poema''.
Por gozar de um prestígio que nenhum outro pianista brasileiro conseguiu nestes últimos 30 anos, Freire se apresenta em todos os lugares, pois a sua carreira está praticamente restrita aos concertos e recitais. As gravações de seus recitais-solo são raras. Todas elas, entretanto, são o resultado de momentos muito especiais, inspirados e únicos.
Apenas três gravações de Freire estão disponíveis no mercado americano: ''Nelson Freire: In Concert/Schumann/Chopin/Bach'', ao preço de US$ 13.99; ''Nelson Freire: Interpreta Villa-Lobos'', ao custo de US$ 20,99; ''Great Pianists of the 20th Century - Nelson Freire'', a US$ 18.99. Os pedidos podem ser feitos pela internet nos endereços www.towerrecords.com e shoopping.yahoo.com.
Mineiro, de Boa Esperança, Freire nasceu em 1944 e tocou seu primeiro ''do-ré-mi-fá'' aos três anos de idade. Devido a sua incrível memória, tocou peças inteiras apenas ouvindo sua irmã ao piano, iniciou seus estudos com Nise Obino e Lúcia Branco. Na sua primeira aparição pública, aos quatro anos, tocou a Sonata em Lá Maior, de Mozart.
Ao executar o Concerto do Imperador, na Competição Internacional de Piano do Rio de Janeiro, em 1957, o talento de Freire foi reconhecido. Ele recebeu uma bolsa para estudar em Viena, com Bruno Seidlhofer. A Europa foi o ponto de partida para sua carreira internacional, que culminou com a Medalha Dinu Lipatti, em Londres, e o primeiro prêmio da Competição Internacional Vienna da Motta, em Lisboa, em 1964.
Após colaborar com os maestros Pierre Boulez, Eugen Jochum, Lorin Maazel, Charles Dutoit, Kurt Masur, André Previn e David Zinman, Freire buscou o mercado americano, em 1970. O ''Concerto nº 4'', de Rachmaninoff, com a Filarmônica de Nova York, abriu o seu caminho para ter uma carreira bem sucedida nos Estados Unidos.
A última apresentação de Freire na capital paranaense foi há dez anos. Sua ausência é sentida até mesmo por professores. Maiumi Oishi, reconhecida pelo seu trabalho na alfabetização de jovens pianistas, gostaria de vê-lo mais vezes. ''Ele vem muito pouco para Curitiba. Seus concertos geralmente ocorrem em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Nordeste. Ele precisa vir mais para o sul. Assisti apenas três concertos dele''.
A concertista e professora Leila Paiva, uma das grandes pianistas paranaenses, destaca a personalidade e a inteligência do concertista mineiro. ''Ele faz o que os outros não fazem: uma releitura diferente dos clássicos, apesar de respeitar a partitura''.


