Arquivo FolhaArthur Moreira Lima:‘‘Os temas da região natal de
Itiberê são, pianisticamente, muito bem realizados’’Uma bela homenagem ao compositor parnanguara Brazílio Itiberê estará sendo prestada hoje, às 19h30, com um recital do pianista Arthur Moreira Lima, na Catedral Diocesana Nossa Senhora do Rosário, de Paranaguá. Será um dos eventos comemorativos ao aniversário de 349 anos da cidade.
A apresentação de Moreira Lima é a terceira da série ‘‘Curitiba Abraça o Paranᒒ, promovida pela Fundação Cultural de Curitiba, que tem por objetivo criar um intercâmbio cultural entre a capital e municípios do interior, conforme a presidente da FCC, Margarita Sansone.
Moreira Lima foi o primeiro músico brasileiro a levar ao disco a obra completa do compositor paranaense, que segundo ele é o precursor da música erudita nacional. O argumento sustenta-se na autoridade de quem passou dois anos debruçado em pesquisas que resultaram na gravação do CD editado em 1995.
‘‘Os temas utilizados, tipicamente brasileiros, da região natal de Itiberê, são, pianisticamente, muito bem realizados, e o tratamento da peça, sob o ponto de vista formal, é testemunha de grande competência profissional’’, declarou Moreira Lima.
O músico dedicou muitas horas remexendo em documentos antigos junto ao Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. Disse ele que ‘‘muitas composições estavam perdidas, deterioradas e algumas conservavam apenas um esboço, tiveram que ser praticamente recompostas’’.
Brazílio Itiberê (1846-1913) teve seu aprendizado musical embasado na cultura européia. Ainda assim manteve ‘‘um inédito interesse pelo Brasil musical moreno’’, conforme Moreira Lima. ‘‘A Sertaneja’’, composta em 1869, aos 23 anos de idade, é um marco na música nacional das Américas, afirma.
Apesar da riqueza musical Brazílio Itiberê direcionaria mais tarde sua vida para a diplomacia. Morreu em Berlim e teve o corpo embalsamado trazido ao Paraná.
Abrangência - Em Paranaguá a noite é de Brazílio Itiberê, das músicas que estão no disco lançado há dois anos, mas o repertório do recital vai além das criações do compositor. O programa é formado por um leque que abrange Bach, passa por Beethoven, Chopin e chega a Piazzolla.
Deverá encerrar com a ‘‘Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro’’, que o norte-americano Louis Moreau Gottschalk criou, quando de sua permanência no Rio de Janeiro, compôspara agradar a Corte. Música vibrante que passeia pelo Hino Nacional, e termina com pomposidade. Final perfeito para uma apresentação nos moldes desta homenagem a Paranaguá e ao seu filho famoso.

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