Pianistas dominam semifinal do Prêmio Eldorado
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Antônio Gonçalves Filho 
São Paulo, 19 (AE) - A lista dos 12 semifinalistas do 10.º Prêmio Eldorado de Música, até mesmo pela predominância do instrumento nessa edição, incluiu cinco dos sete pianistas que disputaram a primeira fase, encerrada ontem (18) à noite, no Teatro Cultura Artística, em São Paulo. Na segunda-feira, às 19 horas, no mesmo local, será realizada a primeira semifinal com os selecionados pelo júri. Dos três participantes que tocaram na oitava e última eliminatória, ontem, foi escolhido o Duo Sonâncias, formado pela pianista Cristiane Blóes e o percussionista Luís Carlos de Oliveira.
Foi uma escolha justa. Equilíbrio, técnica e sintonia com a produção contemporânea fazem do Duo Sonâncias um nome a ser lembrado pelos empresários e sociedades de concerto. Eles não precisavam tocar nada além da sexta "Childrens Song de Chick Corea" para provar a habilidade do duo, formado por dois solistas com completa autonomia. Recusando o papel de coadjuvantes, o percussionista e a pianista estabelecem um diálogo fértil, que só faz ampliar a riqueza sonora das composições escolhidas.
Como lembrou o presidente do júri, o crítico J.J. de Moraes, a seleção dos candidatos adota como requisito básico a escolha do repertório, que traduz, além da interpretação, a formação do músico. Ao selecionar peças do compositor norte-americano Chick Corea e do brasileiro Edmundo Villani Cortês, o Duo Sonâncias definiu uma intenção, a de trabalhar numa releitura de autores experimentais, refratários a gêneros. Corea, um pianista de formação jazzística, reelabora em "Childrens Song" a sintaxe erudita americana (de Samuel Barber a Keith Jarrett). Vilani, na peça "Pretensioso", composta em 1986, moderniza o choro, brincando com os conservadores.
A precisão com que os dois músicos atacam essa permuta de valores é simplesmente impressionante. O controle do tempo, a abordagem do tema, a sutileza com que o duo interpreta a fragmentação cubista de Cláudio Santoro (em Diagramas Cíclicos) fazem esperar uma disputa acirrada com os outros semifinalistas. Duo - O Dolce Duo, que tocou a seguir, pesquisa obras inéditas para essa formação (flauta e harpa), assinando, até mesmo, transcrições de peças para piano de Santoro. No entanto, o programa apresentado na oitava eliminatória foi mais convencional. A peça de Damase é o que se chama erroneamente de moderna, mas sua modernidade é opaca. Já Villa-Lobos é exuberante, mas faltou vigor na interpretação de suas "Impressões Seresteiras".
O duo formado pela flautista Luciana Morato e a harpista Cristina de Carvalho encerrou sua apresentação com uma peça de Saint-Sa$ns, "Fantasie, opus 124", uma escolha feita em razão da harmoniosa combinação entre o fraseado da flauta e a evolução desse mesmo discurso na harpa. Infelizmente, é um discurso estéril e não permite uma osmose contínua entre os dois instrumentos.
O último grupo a se apresentar, o Jardim Musical, formado por cantores e instrumentistas, adota como objeto de pesquisa o período barroco, utilizando até instrumentos de época. São bons instrumentistas, mas não se pode dizer o mesmo de suas vozes, como ficou provado na interpretação da peça de Purcell, "A Sing Unto the Lord". Não é um grupo homogêneo e o virtuosismo dos músicos entra em choque com a falta de uniformidade vocal. Nada, porém, impossível de corrigir.


