Piada Mortal
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de abril de 1999
Agência Folha 
Quem procurar por uma história do Batman em A Piada Mortal, que a Abril Jovem relançou sugestivamente neste 1º de abril, vai se surpreender. Na verdade, a revista narra um conto protagonizado pelo vilão número um do homem-morcego: o Coringa. A edição sofreu uma espécie de recauchutagem e é superior à original, produzida há 11 anos. Apresenta capa cartonada e papel de gramatura maior.
Nesta história, já editada no Brasil em 1988 e relançada em 1991, o Coringa quer provar que a distância entre ele e qualquer outro ser humano tido como são é apenas um dia em que tudo dá errado. Uma sequência de eventos ruins. Para provar sua tese, ele foge da prisão e comete uma série de atrocidades, tornando a vida do comissário Gordon, um dos principais personagens coadjuvantes da mitologia de Batman, um verdadeiro inferno.
Assim, ele não hesita em atirar na filha do comissário, Barbara Gordon, que é também a heroína Batgirl, deixando-a paraplégica. Isso tudo acontece enquanto Batman está tentando encontrar uma forma de melhorar o seu relacionamento com o inimigo antes que os dois acabem se matando. Em meio a todo esse caos, o leitor conhece uma possível origem do Coringa. Possível, porque é contada por ele, que admite que nem sempre se lembra das coisas com precisão.
A Piada Mortal é uma conjugação de raros talentos da HQ. O roteiro é de Alan Moore, autor de Watchmen (também republicada no Brasil pela Abril Jovem), e os desenhos do britânico Brian Bolland, conhecido pelas capas de revistas do selo adulto Vertigo.
Essa revista faz parte de um movimento da editora norte-americana DC Comics (que publica o Super-Homem) para dar nova vida aos seus personagens na segunda metade dos anos 80. Como a DC se consolidara como a segunda colocada no mercado de quadrinhos norte-americanos, estava disposta a correr riscos para conquistar a atenção do leitor.
Piada é também um marco na trajetória de Moore. Em 1988, foi anunciada como a sua última história em quadrinhos de super-heróis. Moore brigou com a DC Comics porque queria os direitos sobre os personagens que criara para a série Watchmen.
Como a editora não realizou seu desejo, Moore criou seu próprio selo de HQs, o Mad Love. Mas sua nova editora fracassou. Agora, Moore trabalha para o estúdio Wildstorm, que pertence ao antigo desafeto do autor, a DC Comics, e ele está escrevendo super-heróis novamente. Uma linha de personagens foi lançada no mês passado, mas os direitos pertencem finalmente ao autor.


