Philp Roth retrata as sequelas existenciais provocadas pelas epidemias de poliomielite
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Redação FolhaWeb 
Um fantasma assustador. Uma peste que deixava as mães de olhos inchados e vermelhos. A poliomielite, algumas décadas atrás, era um fantasma apavorante. Ao contrair o vírus, as crianças só tinham duas opções pela frente: morte ou sequelas. Não havia o que fazer. Só nuvens negras.
Essa atmosfera sombria permeia ''Nêmesis'', o novo romance do escritor norte-americano Philip Roth lançado pela editora Companhia das Letras. A proximidade da fatalidade, bem como as perturbações que ela é capaz de provocar na mente humana, derruba tudo que encontra pela frente. Certezas, felicidades e aspirações.
''Nêmesis'' é o último volume da tetralogia idealiza pelo escritor ao lado dos romances ''Homem Comum'', ''Indignação'' e ''A Humilhação'', todos lançados pela Companhia das Letras. Os quatro livros retratam, cada um a seu modo, a impotência humana diante da força da imprevisibilidade da vida.
''Nêmesis'' narra a história de Bucky, um jovem atleta de 23 anos, professor infantil de educação física, que precisa lidar com uma epidemia de poliomielite em 1944 nos Estados Unidos. De um dia para outro, ele vê seus alunos desaparecerem das aulas vítimas da doença.
A obra toca no ponto onde a ordem e as certezas escorrem pelo ralo. O imprevisto, a incerteza e as circunstâncias seriam maiores que os homens. O destino estaria sempre atrás da porta para aplicar algum tipo de susto. Sempre pronto para desamarrar os sapatos, abrir um buraco no chão, desabar um prédio ou fazer o céu despencar.
Uma das surpresas do romance está em sua estrutura narrativa. O narrador, em primeira pessoa, possui uma íntima proximidade do personagem principal e, ao mesmo tempo, um distanciamento lúcido e profundo. No final, ele se revela como um dos alunos de Bucky vitimado pelo vírus da poliomielite.
Philp Roth, nascido na cidade de Newark em 1933 numa família de origem judaica, é considerado um dos grandes criadores da literatura norte-americana da segunda metade do século 20. Autor de dezenas de romances, ganhou montanhas de prêmios literários ao longo das décadas. Prestes a completar 79 anos de idade, continua defendendo a ideia da vida como um impasse longe de qualquer tipo de solução.
Leia crítica completa do jornalista Marcos Losnak


