Petrobrás leva arte brasileira a Paris
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quarta-feira, 11 de agosto de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 12 (AE) - A Petrobrás quer levar a arte brasileira ao exterior para abrir novos mercados e conquistar novos clientes e parceiros. A iniciativa - que começou em pequena escala há dois anos, com uma mostra de fotografia em Buenos Aires - ganha vulto em novembro deste ano, quando a exposição "Barroco Brasil - entre o Céu e a Terra", com a arte brasileira do período colonial, vai para o Petit Palais, em Paris, com patrocínio da Petrobrás, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Embratur e governo do Estado do Rio.
"A iniciativa de levar arte brasileira aos países onde buscamos novos mercados não é isolada, mas faz parte de uma estratégia global de marketing, que se estende também aos esportes e à ecologia", explica o coordenador de Relações Internacionais da Petrobrás, Milton Costa Filho. "A arte quebra o gelo no início das negociações e, com ela, à empresa são agregados atributos valorizados nos negócios, como talento e criatividade."
Costa Filho conta que, na área de esportes, a Petrobrás já fornece combustível para a equipe Williams, de Fórmula 1. No setor de preservação do meio ambiente, a experiência é mais antiga e rende bons frutos. A empresa patrocina o Projeto Tamar, de preservação das tartarugas marinhas do litoral baiano e já fez exposições mostrando os resultados na Alemanha e tem outra prevista para setembro, em Londres.
No patrocínio cultural, sempre aproveitando as leis de incentivo, a primeira experiência foi levar ao Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires, em 1997, a "Coleção Teresa Cristina", de fotografias da família imperial brasileira no 2º Império. Na mesma época, o Centro de Estudos Brasileiros da mesma cidade recebeu a exposição "Dom Quixote, Desenhos de Portinari/Versos de Drummond". "A Argentina é um parceiro importante para o Brasil não só para vendermos nossos produtos, mas porque eles nos fornecem petróleo", comenta Costa Filho.
Fim do monopólio - Tal como ocorre com seus patrocínios no Brasil, a Petrobrás privilegia as áreas de artes plásticas e música erudita, mas não fica só nisso. "A exposição sozinha não traz muitos resultados, mas usamos o marketing business to business, ou seja, em cada lugar, fazemos um coquetel com nossos possíveis clientes e parceiros e mostramos os produtos da empresa e as possiblidades do Brasil", diz ele. Costa Filho lembra que essa iniciativa tornou-se mais agressiva a partir da flexibilização do monopólio da Petrobrás. "Com isso, a empresa tem de buscar mercados fora do Brasil", conta ele. "E nada melhor do que a arte para melhorar a imagem do País lá fora, com clientes, parceiros e até nas bolsas de valores."
Dentro dessa filosofia, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) apresentou, de novembro de 1998 a janeiro, um festival de filmes brasileiros, do Cinema Novo até hoje. E a bailarina e coreógrafa Débora Colker levou seu espetáculo "Rota" para Bolívia, Inglaterra e Alemanha. "Rota" deverá ser mostrado em Buenos Aires em dezembro. Atualmente, quadros de Di Cavalcanti estão no Museu de Artes de La Paz e na Casa de Cultura Raul Otero, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, outro parceiro importante da Petrobrás, que está construíndo um gasoduto de lá até São Paulo.
Os planos da empresa para o ano 2000 são ambiciosos. "Pretendemos patrocinar muitas exposições e espetáculos para comemorar os 500 anos do descobrimento, mas ainda estamos fechando a agenda", adianta Costa Filho. "Para a Petrobrás, quanto melhor for a imagem do Brasil no exterior, mais fácil fica fechar negócio."


