Petra vai além da imaginação
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de abril de 1999
Agência Estado 
As montanhas que recortam o deserto jordaniano dão asas à imaginação. Do visitante e das civilizações que estiveram por lá. De formação rochosa bizarra, é inevitável observar desenhos misteriosos nas pedras rosadas. Alguns deles, inacabados, foram inscritos por tribos nômades há milhões de anos. Outros, esculpidos pelos ventos ou, como dizem por lá, são obras do divino.
Talvez tenha sido a sensível percepção desta natureza rupestre que inspirou o povo nabateu, no século 20 a.C, a esculpir na pedra uma cidade majestosa para torná-la, depois, capital do reino. Encravada no vale Ash-Sharah, a 195 quilômetros ao sul de Amã, Petra, como chamaram-na, chegou a ameaçar Roma por sua força como entreposto comercial. Mais tarde, foi anexada ao Império Romano. Seus fundadores, de origem nômade, eram comerciantes de seda e especiarias que percorriam as antigas rotas das caravanas que ligavam a China, Índia, Ásia Menor, sul da Arábia, Grécia e Roma. No auge do poder, o império nabateu se estendia até Damasco e norte da Arábia, abrangendo parte do Deserto do Sinai.
O declínio de Petra foi inevitável com o domínio, pelos romanos, das rotas de comércio. Entre os séculos 60 e 70 d.C, uma série de terremotos deixou o lugar em abandono, quase que esquecido na história. Na Idade Média, as Cruzadas até trouxeram de volta um pouco de atividade a Petra, mas a cidade só foi redescoberta em 1812 por Burckhardt, um viajante suíço. As escavações arqueológicas começaram em 1924 e continuam em atividade, ressuscitando a antiga glória dos nabateus.
Hoje, o lugar é o principal ponto turístico do país. Ao redor, o vilarejo de Wadi Musa oferece mais de 70 hotéis, para todos os bolsos. O ingresso para a cidade escondida custa cerca de US$ 30. A partir da entrada, um caminho, de um quilômetro, feito a pé ou a cavalo (cerca de US$ 12) leva até um desfiladeiro que desemboca no primeiro grande monumento: o Al-Khazneh. Construído no século 10 a.C. para ser a tumba de um rei nabateu e inspirado na arquitetura clássica helênica, este cartão-postal de Petra é ponto de partida para mais tumbas e templos.
Prepare-se, no entanto, para passar o dia inteiro caminhando. Itens indispensáveis para a viagem são chapéu e protetor solar. Petra abrange uma área de cerca de 100 km 2 e dispõe de infra-estrutura turística até demais. Por quase todos os caminhos há barraquinhas vendendo souvenirs à moda árabe, como colares envelhecidos e garrafinhas com desenhos de areia, e bares abrigados em cavernas que vendem lanches e bebidas. Quem se cansar da caminhada pode pegar carona em um camelo, burro e até mesmo uma charrete.
Seja como for, um must em Petra é conhecer o templo chamado de Monastério ou Ad-Deir. Chegar lá requer uma caminhada que dura cerca de 45 minutos morro acima. Um trekking e tanto para os desacostumados com o esporte, mas uma parte do percurso pode ser feita em lombo de burrico.
Ao chegar ao topo, o turista dá de cara com uma caverna ocupada por beduínos simpáticos que oferecem chá, café e almofadas para o repouso. Deve-se estar atento, porém, para não perder o horário. As visitas a Petra são encerradas logo depois do pôr-do-sol e não é permitido passar a noite por lá. Convite e vontade de ficar não vão faltar.


